A COMUNIDADE NÃO PODE SE ACOSTUMAR À DECADÊNCIA E À ESTAGNAÇÃO COMO O PEIXEIRO SE ACOSTUMA AO MAU CHEIRO DA PEIXARIA" UMA NAÇÃO SE TORNA MENOR, QUANDO O SEU POVO PERDE O PODER DA INDIGNAÇÃO! photo:Parque das Águas(by Artur Silva)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
sábado, 20 de dezembro de 2014
Para refletir
Ayn Rand: "Quando você perceber que, para...
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".
Ayn Randsexta-feira, 12 de dezembro de 2014
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
COPASA ASSUME SERVIÇO DE ÁGUA E ESGOTO EM CAMBUQUIRA.

Depois de quase uma década de impasses, a Justiça determinou que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) assuma o abastecimento de água e esgoto em Cambuquira (MG) imediatamente. Até então, o serviço era feito por uma autarquia municipal, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).
Veja a reportagem original no site da EPTV (clique aqui)
Comentários:
Negando a fala da autoridade local, afirmo que grande parte da população vinha pagando regularmente a taxa do SAAE. Eu, mesmo paguei por vários meses e estou em dia com isso, mesmo quando minha casa não recebia água por semana ou dias.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
IPVA 2015
Valor do IPVA 2015 cai 3,73% em Minas, e imposto já pode ser pago
Contribuintes já podem pagar o imposto a partir desta terça-feira (2); Taxa de Licenciamento teve reajuste e vai custar R$ 77,60
A Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) divulgou nesta terça-feira (2) a tabela e a escala de pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2015. Houve uma diminuição média de 3,73% na valor do imposto, que já pode ser pago. Para automóveis utilitários, a redução foi de 3,9%; e, para motocicletas e similares, foi de 4,29%.
| Final da placa | Dia vencimento da 1ª parcela ou cota única (janeiro) | Dia vencimento da 2ª parcela (fevereiro) | Dia vencimento da 3º parcela (março) |
| 1 | 19 | 23 | 23 |
| 2 | 20 | 23 | 23 |
| 3 | 21 | 24 | 24 |
| 4 | 22 | 24 | 24 |
| 5 | 23 | 25 | 25 |
| 6 | 26 | 25 | 25 |
| 7 | 27 | 26 | 26 |
| 8 | 28 | 26 | 26 |
| 9 | 29 | 27 | 27 |
| 0 | 30 | 27 | 27 |
Leia mais no Jornal O Tempo. (clique)
domingo, 30 de novembro de 2014
domingo, 16 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
terça-feira, 28 de outubro de 2014
domingo, 26 de outubro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Quase metade das famílias admite que desperdiça água
Quase metade das famílias admite que desperdiça água
“Varrer” calçada com mangueira e não consertar vazamentos são alguns vilões do desperdício

Desconhecimento. Pesquisa mostra que população só pensa na água “da torneira para a frente”, e segue sem se preocupar com consumo
PUBLICADO EM 17/09/14 - 03h00
ANA PAULA PEDROSA
Quase metade das famílias brasileiras (48%) não controla o uso da água. Apesar disso, sete em cada dez pessoas acreditam que o desperdício vai levar à falta de água no futuro. Os dados são de uma pesquisa do programa Água para a Vida, uma parceria entre a ONG WWF-Brasil e o grupo HSBC. Banhos longos, hábitos como “varrer” as calçadas com mangueira e não consertar vazamentos são alguns vilões responsáveis pela perda de milhões de litros de água, segundo a pesquisa.
Leia a matéria completa no Jornal O Tempo (clique)
A diminuição da mata nos mananciais e a lição da seca em São Paulo
A cobertura vegetal de mananciais em São Paulo é ainda menor do que se imaginava, segundo a SOS Mata Atlântica. O que nos ensina a seca paulista
BRUNO CALIXTO
09/10/2014 12h45

A cidade de Extrema, no sul de Minas Gerais, enfrenta a mesma situação de seca que São Paulo. Só que, enquanto nascentes paulistas se esgotam, Extrema não corre risco de racionamento. A água brota, mesmo sob forte estiagem, graças a um programa de reflorestamento. A cidade mostra quanto a floresta importa para o abastecimento de água. Projetos que usem Extrema como referência poderão suavizar os efeitos das estiagens em todo o país. Infelizmente, a cidade mineira é um caso isolado. Um levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica, divulgado com exclusividade por ÉPOCA, mostra que as florestas da região da Cantareira, de onde sai a água que abastece São Paulo, estão muito mais desmatadas do que se imaginava. Isso causa impacto no abastecimento de água.
A crise de falta de água em São Paulo é também uma crise ambiental. A floresta tem o papel de extrair umidade do ar e levá-la aos mananciais. Ela também impede deslizamentos de terra e evita o assoreamento dos rios. Quando o entorno de um rio é desmatado, o solo empobrece, e o rio seca. Os efeitos não acontecem imediatamente após o desmate. Quando chegam, podem levar ao colapso – situação que ameaça o Sistema Cantareira. A crise piorou nos meses de seca, e os reservatórios estão com menos de 8% do volume total. O governo paulista teve de anunciar, pela segunda vez em quatro meses, que faz obras para captar água das represas numa profundidade antes considerada apenas reserva, ou “volume morto”.
O estudo da SOS Mata Atlântica, com imagens de satélite de alta definição, constatou que sobraram 21% de cobertura florestal na região da Cantareira. Antes, acreditava-se que a percentagem de cobertura florestal era de 30%. Para piorar, a cobertura remanescente tem menor capacidade de prestar serviços ambientais (como repor água nos rios e abrigar animais), pois está espalhada em “ilhas” em meio a pastos, terras degradadas e produção de cana e eucalipto. Em alguns municípios, a cobertura florestal é ainda menor. Em Itapeva, no sul de Minas, restam apenas 7,9% de floresta preservada. Municípios paulistas como Piracaia, Vargem e Joanópolis preservaram menos de 18% das matas. “A destruição da mata fez com que a água de São Paulo perdesse em qualidade e quantidade. Isso contribui com a atual situação de escassez”, diz Marcia Hirota, da SOS Mata Atlântica.
O estudo da SOS Mata Atlântica, com imagens de satélite de alta definição, constatou que sobraram 21% de cobertura florestal na região da Cantareira. Antes, acreditava-se que a percentagem de cobertura florestal era de 30%. Para piorar, a cobertura remanescente tem menor capacidade de prestar serviços ambientais (como repor água nos rios e abrigar animais), pois está espalhada em “ilhas” em meio a pastos, terras degradadas e produção de cana e eucalipto. Em alguns municípios, a cobertura florestal é ainda menor. Em Itapeva, no sul de Minas, restam apenas 7,9% de floresta preservada. Municípios paulistas como Piracaia, Vargem e Joanópolis preservaram menos de 18% das matas. “A destruição da mata fez com que a água de São Paulo perdesse em qualidade e quantidade. Isso contribui com a atual situação de escassez”, diz Marcia Hirota, da SOS Mata Atlântica.
Fonte: Revista Época
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Em tempos de eleição, qualquer assunto pode virar confusão!
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domingo, 31 de agosto de 2014

O problema, recorrente no verão, afeta a saúde da população.
Para o Idec, o direito à informação é a primeira medida a ser cumprida pelas empresas. O consumidor afetado pode pedir ressarcimento em caso de má prestação de serviço Como todos os anos, a falta de água é um problema recorrente na época do verão. No entanto, por se tratar de uma questão que afeta a saúde da população, algumas medidas preventivas podem ser tomadas para evitar grandes períodos sem o fornecimento deste serviço essencial.
As concessionárias de água poderiam fazer campanhas e enviar na própria conta orientações sobre a necessidade de economizar água e evitar o desperdício. Além disso, no atendimento ao consumidor, quando da falta de água, as informações sobre o motivo e a previsão de normalização do abastecimento deveriam ser mais claras e objetivas.
O direito à informação é garantido pelo CDC (Código de Defesa do Consumidor). “Somente com a informação o consumidor pode se organizar e tomar as medidas corretas para enfrentar as dificuldades ocasionadas pela falta de água, que afeta as necessidades mais básicas como saúde e higiene”, explica a advogada do Idec, Mariana Alves Tornero.
Quando o serviço de abastecimento de água tiver acontecido por motivo de má prestação de serviço, como por exemplo, um vazamento de água fora do domicílio, a concessionária deve ressarcir ao consumidor todos os custos decorrentes deste problema, como a compra de um caminhão pipa.
“A empresa é responsável pela reparação de danos e o consumidor deve guardar todos os comprovantes de gastos para exigir esse reembolso”, orienta Mariana. A conta de água também precisa ter o abatimento proporcional ao período que não houve fornecimento de água já que a prestação do serviço não foi contínua.
Caso o consumidor não consiga um acordo com a empresa ele pode formular uma denúncia na Agência Reguladora do seu Estado, caso exista uma, nos Procons e até pleitear ressarcimento na Justiça.
Fonte: http://www.idec.org.br/consultas/
* Na falta do Procon em sua cidade, o Ministério Público pode ser acionado para que tome as medidas legais e judiciais com relação a esse crime.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Notícia de última hora: "Hotel Elite pode ter sido vendido"
Conforme foto, o que esperamos ser verdade, o nosso Hotel Elite acabou de ser vendido.
Não sabemos para quem e nem por quanto. O que se espera é que, como é um patrimônio histórico e paisagístico, se faça algo e urgente para preservar o que classifico como um dos mais belos prédios de nossa região do Circuito das Águas.
sábado, 19 de julho de 2014
quarta-feira, 2 de julho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
O Analfabeto Político
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."
(Bertolt Brecht)
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."
(Bertolt Brecht)
A frase acima não é de minha autoria, mas de Berthold Brecht que viveu entre o fim do século dezenove até pouco mais da metade do século vinte. A citação se aplica muito ao nosso país, à nossa cidade e à atual situação política do Brasil em geral. Por aqui, inúmeros estufam o peito, como disse o autor, para dizer que não gosta de política. Entendo que talvez não queiram expressar isso, pois o sentido real que querem dizer é que "não gostam de políticos", pelo menos do tipo de cidadão que se aproveita dos votos dos ingênuos para levar vantagem num cargo público que se fosse por concurso de capacidade poucos teriam condições de assumir. Aí, principalmente nas cidades pequenas e sem nenhum emprego e pouca renda, a ocupação se transformou numa alternativa para ganhar dinheiro. Pela que grande parte ganham essa espécie de salário para não fazer nada pela sua terra.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Ameaçadas, fontes do Parque de Cambuquira são alvo da proteção do Ministério Público de Minas Gerais
Foi instaurada pelo Ministério Público
Estadual a Ação Civil nº. 0015533-
78.2013.8.13.0107, reunindo uma série de
ações a serem executadas pelos responsáveis
pela guarda e preservação dos bens naturais
abrigados no Parque das Águas de Cambuquira:
suas fontes, parque e mata.
A notícia veio a público dia 11 de março na
página do Facebook da ONG Nova Cambuquira,
que apresenta um resumo da Ação Civil
apresentada à Justiça, transcrito a seguir:
“Pedidos para COPASA e CODEMIG:
- Análises de determinação mensal da descarga
de propriedades físicas e físico-químicas das
águas minerais, bem como análises químicas
periódicas;
- Análise completa, no mínimo, a cada três
anos, para verificação da composição das águas,
mediante solicitação ao DNPM, a fim de que
seja feito estudo in loco do LAMIN/CPRM, em
TODAS as captações;
- Aferição semestral da potabilidade das águas,
mediante análises.
Pedidos para CODEMIG, COPASA e MUNICÍPIO
DE CAMBUQUIRA:
- Monitoramento trimestral da VAZÃO DAS
FONTES, com registro em planilha de valores,
por período de no mínimo 02 anos, para fins de
RECAPTAÇÃO, se tal medida se mostrar ambientalmente
apropriada;
- Apresentem, em 60 dias, projeto de saneamento
da área a montante das captação do Parque,
para viabilizar instalação de redes coletoras,
com exame da VIABILIDADE LOCACIONAL
pela SUPRAM;
- Apresentem, em 60 dias, projeto de recuperação
das águas e margens do CÓRREGO DA
LAVRA, vez que gravemente afetado;
- Em 1 ano, apresentem plano de educação ambiental,
com cronograma de atividades e ações
integradas, como parte integrante do licenciamento
ambiental do empreendimento de extração
de águas minerais.
Pedidos para COPASA:
- Apresente, em 60 dias, protocolo de instauração
de Processo de Licenciamento Ambiental
junto à SUPRAM;
- Apresente Licença Prévia do processo de licenciamento,
EIA/RIMA e Planta Planialtimétrica,
com delimitação das áreas de recarga, bem
como do fluxo subterrâneo de águas do lençol e
aquífero, a fim de ser analisado eventual impacto
negativo da atividade de explotação das águas
minerais;
- Implante, em 60 dias, sistema de monitoramento
qualitativo e quantitativo das fontes, com
análises SEMANAIS.
Pedidos para o Município:
- Apresente, em 90 dias, plano de atuação e gestão
de serviços sanitários, com cronograma de
execução, nos bairros situados no entorno do
Parque, de acordo com os limites da área de
proteção ambiental, impedindo o lançamento
sanitário in natura no Córrego da Lavra, o qual
vem sendo importante fonte de contaminação;
- Apresente, em 01 ano, plano de atuação e gestão
para criação de zonas de PROTEÇÃO AMBIENTAL,
de forma a preservar as águas e as
áreas de proteção permanente, mormente as
matas ciliares do Córrego da Lavra e suas nascentes;
- Adote todas as medidas necessárias, em 90
dias, para NÃO PERMITIR O TRÁFEGO DE
CAMINHÕES PESADOS, impedindo-se,
ainda, O TRANSPORTE DE CARGAS PERIGOSAS
NO ENTORNO DO PARQUE DAS
ÁGUAS;
- Fiscalização permanente na Figueira, de forma
a impedir a perfuração ilegal de poços tubulares
ou artesianos, sem prejuízo de identificação dos
já existentes, PARA FINS DE LACRAÇÃO, mediante
comprovação nos autos;
- Abstenha-se de autorizar novas edificações no
bairro da Figueira, a qualquer título;
- Abstenha-se de autorizar novas intervenções
no bairro da Figueira.
Medidas Técnicas e Ambientais
Para a COPASA:
- Planta planialtimétrica, com medidas corretivas.
Para o MUNICÍPIO:
- Inventário atualizado da rede coletora de esgoto
dos bairros Figueira, Lavra, Bela Vista, Regina
Coeli e Centro, efetivando medidas corretivas
quanto ao nitrato das fontes;
- Levantamento de residências em zona rural,
com a forma de destinação de seus efluentes e
resíduos domésticos, mediante descarte no ambiente
e oferecendo orientação e apoio técnico
quanto às fossas sépticas;
- ATUALIZE O PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO
DE CAMBUQUIRA, COM DEBATE
PÚBLICO E TÉCNICO ACERTA DA REGULARIZAÇÃO
FUNDIÁRIA DO BAIRRO DA
FIGUEIRA;
- Fiscalização permanente na Figueira, impedindo
construções clandestinas.
Para a CODEMIG e MUNICÍPIO:
- Se demonstrada inviabilidade jurídica e ambiental
da Figueira, adotar todas as medidas necessárias
para reparação dos danos ambientais
ocasionados, revertendo-se o quadro de contaminação;
- CERCAMENTO DO ENTORNO DA MATA,
sem prejuízo de outras medidas de preservação
que se fizerem necessárias.”
Ao término do resumo a presidente da ONG
Nova Cambuquira, Ana Paula Lemes, aproveita
para “agradecer imensamente e publicamente ao
Ministério Público, nas pessoas do Sr. Cristiano
Rocha Gazal e Sr. Bergson Cardoso Guimarães,
que têm sido verdadeiros anjos da guarda quanto
às lutas da ONG NOVA CAMBUQUIRA”,
um agradecimento de todos os cambuquirenses.
Fonte: Jornal Encontro edição 553
Fonte: Jornal Encontro edição 553
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Desmatamento eleva em 100 vezes o custo do tratamento da água
07/05/2014
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Além de alterar o ciclo de chuvas, prejudicar a recarga de aquíferos subterrâneos e, consequentemente, reduzir os recursos hídricos disponíveis para o abastecimento humano, o desmate da vegetação que recobre as bacias hidrográficas tem forte impacto sobre a qualidade da água, encarecendo em cerca de 100 vezes o tratamento necessário para torná-la potável.
O alerta foi feito pelo pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), durante palestra apresentada no terceiro encontro do Ciclo de Conferências 2014 do programa BIOTA-FAPESP Educação, realizado no dia 24 de abril, em São Paulo.
“Em áreas com floresta ripária [contígua a cursos d'água] bem protegida, basta colocar algumas gotas de cloro por litro e obtemos água de boa qualidade para consumo. Já em locais com vegetação degradada, como o sistema Baixo Cotia [bacia hidrográfica do rio Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo], é preciso usar coagulantes, corretores de pH, flúor, oxidantes, desinfetantes, algicidas e substâncias para remover o gosto e o odor. Todo o serviço de filtragem prestado pela floresta precisa ser substituído por um sistema artificial e o custo passa de R$ 2 a R$ 3 a cada mil metros cúbicos para R$ 200 a R$ 300. Essa conta precisa ser relacionada com os custos do desmatamento”, afirmou Tundisi.
Quando a cobertura vegetal na bacia hidrográfica é adequada – e isso inclui não apenas as florestas ripárias como também matas de áreas alagadas e demais mosaicos de vegetação nativa –, a taxa de evapotranspiração é mais alta, ou seja, uma quantidade maior de água retorna para a atmosfera e favorece a precipitação.
Além disso, explicou Tundisi, o escoamento da água das chuvas ocorre mais lentamente, diminuindo o processo erosivo. Parte da água se infiltra no solo por meio dos troncos e raízes, que funcionam como biofiltros, recarrega os aquíferos e garante a sustentabilidade dos mananciais.
“Em solos desnudos, o processo de drenagem da água da chuva ocorre de forma muito mais rápida e há uma perda considerável da superfície do solo, que tem como destino os corpos d’água. Essa matéria orgânica em suspensão altera completamente as características químicas da água, tanto a de superfície como a subterrânea”, explicou Tundisi.
De acordo com o pesquisador, a mudança na composição química da água é ainda mais acentuada quando há criação de gado ou uso de fertilizantes e pesticidas nas margens dos rios. Ocorre aumento na turbidez e na concentração de nitrogênio, fósforo, metais pesados e outros contaminantes – impactando fortemente a biota aquática.
Tundisi lembrou que, além de garantir água para o abastecimento humano, os ecossistemas aquáticos oferecem uma série de outros serviços de grande relevância econômica, como geração de hidroeletricidade, irrigação, transporte (hidrovia), turismo, recreação e pesca.
A mensuração do valor desses serviços ecossistêmicos é o objetivo do projeto “Pesquisas ecológicas de longa duração nas bacias hidrográficas dos rios Itaqueri e Lobo e represa da UHE Carlos Botelho, Itirapina, SP, Brasil (PelD)”, coordenado por Tundisi com apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“São serviços estratégicos e fundamentais para o desenvolvimento do Estado de São Paulo. Sua valoração é de fundamental importância para a implantação de projetos de economias verdes, dando ênfase à conservação dessa estruturas de vegetação e áreas alagadas”, disse.
Ciclo de carbono
Na segunda palestra do encontro, Maria Victoria Ramos Ballester, pesquisadora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou estudos realizados na Amazônia com apoio da FAPESP que revelaram a importância dos rios no balanço de carbono na Bacia Amazônica, incluindo a floresta e os solos. Parte dos resultados foi divulgada em artigo publicado na revista Nature.
“Sempre se acreditou que quase todo o carbono da atmosfera absorvido pela Floresta Amazônica ficasse fixado no solo, mas mostramos que uma parcela significativa vai para os rios na forma de folhas, galhos e sedimentos. Esse material é decomposto por microrganismos e volta para a atmosfera”, explicou Ballester.
De acordo com a pesquisadora, as águas fluviais processam em nível global praticamente a mesma quantidade de carbono estimada para os sistemas terrestres – algo em torno de 2,8 petagramas (2,8 bilhões de toneladas) por ano.
Estudos do grupo mostraram que na porção central da Bacia Amazônica a quantidade de carbono nas águas era cerca de 13 vezes maior que a descarregada no oceano.
“As análises da composição isotópica mostraram que o carbono é originário principalmente de plantas jovens, de aproximadamente 5 anos. Ele é metabolizado rapidamente dentro do rio e retorna para a atmosfera. O metabolismo do carbono ocorre ainda mais rapidamente em rios pequenos”, contou Ballester.
Mas o intenso processo de ocupação da Amazônia e a consequente mudança no padrão de uso do solo têm alterado a ciclagem de nutrientes nos rios – elevando a quantidade de carbono e reduzindo o oxigênio dissolvido –, alertou a pesquisadora.
“A maior quantidade de matéria orgânica em suspensão na água, aliada à maior penetração de luz resultante da retirada das árvores, favorece o crescimento de uma gramínea conhecida comoPaspalum, o que aumenta o consumo de oxigênio e o fluxo de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera”, contou.
Os efeitos da mudanças no habitat fluvial sobre a biota foi avaliado em um estudo realizado no âmbito do Projeto Temático “O papel dos sistemas fluviais amazônicos no balanço regional e global de carbono: evasão de CO2 e interações entre os ambientes terrestres e aquáticos”, coordenado pelo pesquisador Reynaldo Luiz Victoria.
O grupo do Cena analisou as transferências de nitrogênio e a biodiversidade de peixes de duas bacias interligadas em Rondônia, com 800 metros de extensão e as mesmas condições físicas. Uma das bacias, no entanto, era margeada por áreas de pastagem de gado e a outra possuía mata ciliar.
Os pesquisadores observaram que o rio que teve sua cobertura vegetal modificada apresentava apenas uma espécie de peixe, enquanto o curso da água cuja mata ciliar foi mantida possuía 35 espécies. Também houve alteração significativa da diversidade de espécies de invertebrados observada.
A desigualdade no acesso aos abundantes recursos hídricos existentes no território brasileiro foi tema da terceira e última palestra do encontro, proferida por Humberto Ribeiro da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP).
BIOTA Educação
O ciclo de conferências organizado pelo Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo em 2014 tem como foco os serviços ecossistêmicos.
Outros dois encontros estão programados para este semestre, com os temas: “Biodiversidade e mudanças climáticas” (relacionadas à perda de biodiversidade) e “Biodiversidade e ciclagem de nutrientes” (um exemplo é a influência da biodiversidade sobre a poluição e o equilíbrio de dióxido de carbono e oxigênio na atmosfera).
A iniciativa é voltada à melhoria do ensino da ciência da biodiversidade. Podem participar estudantes, alunos e professores do ensino médio, alunos de graduação e pesquisadores. Mais informações sobre os próximos encontros estão disponíveis em www.fapesp.br/8441.
Fonte: Agência FAPESP
Comentários:
Trazendo a questão para nossa cidade, lembramos aqui o caso do desmatamento de parte da Reserva Santa Clara, conforme vídeo postado no Facebook. Na área foi plantado café entre algumas nascentes que correm para a pequena represa da qual sai a tubulação que vai para nossa cidade.
O que preocupa, além do desmatamento é que a cafeicultura usa alguns agrotóxicos nocivos à saúde humana, alguns dos quais apontados como responsável pelo aparecimento de algumas doenças, entre elas o câncer.
Fonte: Agência FAPESP
Comentários:
Trazendo a questão para nossa cidade, lembramos aqui o caso do desmatamento de parte da Reserva Santa Clara, conforme vídeo postado no Facebook. Na área foi plantado café entre algumas nascentes que correm para a pequena represa da qual sai a tubulação que vai para nossa cidade.
O que preocupa, além do desmatamento é que a cafeicultura usa alguns agrotóxicos nocivos à saúde humana, alguns dos quais apontados como responsável pelo aparecimento de algumas doenças, entre elas o câncer.
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