Quase metade das famílias admite que desperdiça água
“Varrer” calçada com mangueira e não consertar vazamentos são alguns vilões do desperdício

PUBLICADO EM 17/09/14 - 03h00
Quase metade das famílias brasileiras (48%) não controla o uso da água. Apesar disso, sete em cada dez pessoas acreditam que o desperdício vai levar à falta de água no futuro. Os dados são de uma pesquisa do programa Água para a Vida, uma parceria entre a ONG WWF-Brasil e o grupo HSBC. Banhos longos, hábitos como “varrer” as calçadas com mangueira e não consertar vazamentos são alguns vilões responsáveis pela perda de milhões de litros de água, segundo a pesquisa.
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A diminuição da mata nos mananciais e a lição da seca em São Paulo
A cobertura vegetal de mananciais em São Paulo é ainda menor do que se imaginava, segundo a SOS Mata Atlântica. O que nos ensina a seca paulista
BRUNO CALIXTO
09/10/2014 12h45
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A cidade de Extrema, no sul de Minas Gerais, enfrenta a mesma situação de seca que São Paulo. Só que, enquanto nascentes paulistas se esgotam, Extrema não corre risco de racionamento. A água brota, mesmo sob forte estiagem, graças a um programa de reflorestamento. A cidade mostra quanto a floresta importa para o abastecimento de água. Projetos que usem Extrema como referência poderão suavizar os efeitos das estiagens em todo o país. Infelizmente, a cidade mineira é um caso isolado. Um levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica, divulgado com exclusividade por ÉPOCA, mostra que as florestas da região da Cantareira, de onde sai a água que abastece São Paulo, estão muito mais desmatadas do que se imaginava. Isso causa impacto no abastecimento de água.
A crise de falta de água em São Paulo é também uma crise ambiental. A floresta tem o papel de extrair umidade do ar e levá-la aos mananciais. Ela também impede deslizamentos de terra e evita o assoreamento dos rios. Quando o entorno de um rio é desmatado, o solo empobrece, e o rio seca. Os efeitos não acontecem imediatamente após o desmate. Quando chegam, podem levar ao colapso – situação que ameaça o Sistema Cantareira. A crise piorou nos meses de seca, e os reservatórios estão com menos de 8% do volume total. O governo paulista teve de anunciar, pela segunda vez em quatro meses, que faz obras para captar água das represas numa profundidade antes considerada apenas reserva, ou “volume morto”.
O estudo da SOS Mata Atlântica, com imagens de satélite de alta definição, constatou que sobraram 21% de cobertura florestal na região da Cantareira. Antes, acreditava-se que a percentagem de cobertura florestal era de 30%. Para piorar, a cobertura remanescente tem menor capacidade de prestar serviços ambientais (como repor água nos rios e abrigar animais), pois está espalhada em “ilhas” em meio a pastos, terras degradadas e produção de cana e eucalipto. Em alguns municípios, a cobertura florestal é ainda menor. Em Itapeva, no sul de Minas, restam apenas 7,9% de floresta preservada. Municípios paulistas como Piracaia, Vargem e Joanópolis preservaram menos de 18% das matas. “A destruição da mata fez com que a água de São Paulo perdesse em qualidade e quantidade. Isso contribui com a atual situação de escassez”, diz Marcia Hirota, da SOS Mata Atlântica.
O estudo da SOS Mata Atlântica, com imagens de satélite de alta definição, constatou que sobraram 21% de cobertura florestal na região da Cantareira. Antes, acreditava-se que a percentagem de cobertura florestal era de 30%. Para piorar, a cobertura remanescente tem menor capacidade de prestar serviços ambientais (como repor água nos rios e abrigar animais), pois está espalhada em “ilhas” em meio a pastos, terras degradadas e produção de cana e eucalipto. Em alguns municípios, a cobertura florestal é ainda menor. Em Itapeva, no sul de Minas, restam apenas 7,9% de floresta preservada. Municípios paulistas como Piracaia, Vargem e Joanópolis preservaram menos de 18% das matas. “A destruição da mata fez com que a água de São Paulo perdesse em qualidade e quantidade. Isso contribui com a atual situação de escassez”, diz Marcia Hirota, da SOS Mata Atlântica.
Fonte: Revista Época




