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Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos." Euclides da Cunha (1868-1909), "Os Sertões"
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Não podemos nos acostumar com a estagnação e a decadência como o peixeiro se acostuma com o mau cheiro da peixaria.”
Introdução:O texto abaixo tenta explicar o “porquê” da cidade ter chegado ao atual e inegável estágio de estagnação. Os fatos históricos nos podem indicar os caminhos alternativos nos ensinando o que fazer ou o que não fazer com vista a recuperar pelo menos uma parte mínima de tudo que perdemos nos últimos cinqüenta anos, portanto meio século, dos quase cem de existência do lugar como cidade. E, assim poder reconduzí-la aos trilhos do progresso para não perder o bonde da história.
Histórico:Cambuquira nasceu nas propriedades dos meus antepassados, muito embora a história local não dê muita ênfase, essas terras pertenciam aos Silva Lemes, informação prejudicada com a citação “Silva Goulart”, sobrenome das nossas ditas tias solteironas que teriam legado parte de suas terras a alguns dos seus ex-escravos: Ana, Joana e Francisca Gularte( ou Goulart). Elas foram herdeiras de José da Silva Lemes, o Furriel, casado com Rosa Maria Gularte, juntamente com os demais irmãos, um deles Vicente da Silva Leme, o meu quinto-avô.
José da Silva Leme, nascido talvez em Baependi, era filho de Mécia da Veiga Leme e de Guilherme da Cunha Gago, de quem não herdou o nome, o que era privilégio apenas do primogênito, enquanto ele era o cacula. Fornecendo mais dados de sua raiz genealógica, Mécia da Veiga Leme descendia dos primeiros Leme vindos da Ilha da Madeira, os quais descendiam de
Martin Lem, comerciante belga que teria residido em Lisboa durante algum tempo.
Se você se interessou por esse assunto, vá até a página dos Lemes, no link:
http://silvalemes.blogspot.comNascimento:A descoberta de águas minerais num brejo das terras da Fazenda Boa Vista de propriedade da família, nessa época, conforme citado por Manoel Brandão, de propriedade de um tal “Cambuquira”, que conclui não se tratava de nenhum escravo, mas o Alferes José Antônio Rodrigues, casado com Maria Vitória da Silva, talvez uma outra herdeira de José da Silva Leme e Rosa Maria Gularte, que divisavam com os tais escravos beneficiados aos quais coube parte da área urbana, hoje centro da cidade, sendo que outra parte pertencia a Maria Joaquina da Silva , filha do mesmo casal e irmãs das citadas solteironas, casada com o Cap.Tomé Martins Ribeiro, filho do Alferes de mesmo nome e pai da esposa de Vicente da Silva Leme, nosso avô. Essa última informação justifica a existência de propriedades do entorno do centro, naquela época, em nome de alguns Martins Ribeiro, o que confirma ainda mais que todas essas terras eram sim dos Silva Leme. Esses Martins eram donos, por exemplo, da área onde se localiza o Ginásio Estadual, Casa de Lahmeyer, DER e adjacências que divisavam com as terras hoje dos descendentes do Cap.Cláudio Amâncio da Silva Lemes, neto de Vicente acima citado.
O nome Cambuquira foi assim herdado desse Alferes José Antônio Rodrigues, citado em registros campanhenses com o acréscimo do apelido “Cambuquira” e não de um escravo que assim, hipoteticamente era chamado.
Essas terras urbanas forem desapropriadas pelo poder público pelo valor de 800 mil réis, sendo que parte foi repassada aos ex-escravos na forma de uma gleba de terras ainda hoje habitada pelos seus descendentes no lugar conhecido como
Garganta, divisa entre
Marimbeiro e
Miranda.

Antônio Joaquim da Silva Lemes, filho de Vicente da Silva Leme e Escolástica Joaquina do Monte Cassino (ou da Ribeira, Martins Ribeiro) foi um dos que mais ajudaram para que o projeto de vila viesse a se tornar uma cidade. Ele deixou a sua residência confortável localizada na Rua Áustria, na cidade da Campanha, para se mudar para o primeiro sobrado construído por ele na esquina da João Silva com Virgilio de Melo Franco (parte do Hotel Santos Dumont). Já residindo na vila, promoveu com seus irmãos (José Vicente, Tomé e João Evangelista) e outros residentes, a construção da primeira igreja local, criminosamente derrubada pela administração municipal que, já no começo do século XX, demonstravam o seu desprezo pelos valores históricos. Essa capela aparece em fotos da década de 20 ainda do lado direito da matriz.
Eles também construiram o primeiro cemitério, logo atrás da capela como era de costume, hoje Praça Tomé Brandão, ex-Colégio S.José e parte das propriedades do Neto dentista e Salão Paroquial.
Se duvidar, os corpos desses benfeitores podem ter sido abandonados debaixo desses prédios, como a história da cidade fez com os seus nomes.
Para não dizer que os antigos antepassados da família foram completamente esquecidos, existe no Parque S.João ruas com os nomes das tias desses homens, Ana, Joana e Francisca Goulart, que não sei se foi homenagem dada por Samuel Martins Ribeiro, que pelo nome deve ter parentesco com nossos antepassados, ou por algum político nas gestões de Dr.Antônio Almeida Oliveira.
Primeira cidade planejada do Sul de Minas:
Não é preciso conhecer a sua história, nem pesquisar dados nos arquivos municipais, onde provavelmente não encontrarão nada, mas só ao caminhar pelas nossas vias públicas que qualquer visitante concluirá que esta foi, sem sombra de dúvidas, um lugar diferente dos demais municípios vizinhos. Suas ruas largas, aqui há muito tempo chamadas de “avenidas”, e os seus jardins planejados, um deles mutilado para a construção da Biblioteca Mario Azevedo, são os indicativos da existência de um

planejamento que determinou o seu nascimento. Além disso, a sua própria posição natural com relação a trajetória do sol, a faz uma cidade fotogênica, conforme concluiu
Waldir Rodrigues, nosso fotógrafo atual que seguiu o caminho de
Armindo Costa, também descendente dos Lemes, nos áureos tempos da Estância.
Ornamentada pela
Serra do Piripau, de onde partem as dezenas de Asas-deltas e para-pentes durante todo o ano a cidade chama a atenção de todos que por ali passam.E, mesmo maltratada durante os tempos não perdeu o seu charme que ainda encanta muita gente. Pena que alguns habitantes, acostumados com tudo isso não, dão o devido valor a essa qualidade invejada por muitos outros municípios vizinhos. Quem conhece o Sul de Minas como eu, pode confirmar isso. Não existe outro lugar mais lindo e mais gostoso de estar do que na nossa cidade.