quinta-feira, 8 de maio de 2014

Ameaçadas, fontes do Parque de Cambuquira são alvo da proteção do Ministério Público de Minas Gerais

Foi instaurada pelo Ministério Público
Estadual a Ação Civil nº. 0015533-
78.2013.8.13.0107, reunindo uma série de
ações a serem executadas pelos responsáveis
pela guarda e preservação dos bens naturais
abrigados no Parque das Águas de Cambuquira:
suas fontes, parque e mata.
A notícia veio a público dia 11 de março na
página do Facebook da ONG Nova Cambuquira,
que apresenta um resumo da Ação Civil
apresentada à Justiça, transcrito a seguir:
“Pedidos para COPASA e CODEMIG:
- Análises de determinação mensal da descarga
de propriedades físicas e físico-químicas das
águas minerais, bem como análises químicas
periódicas;
- Análise completa, no mínimo, a cada três
anos, para verificação da composição das águas,
mediante solicitação ao DNPM, a fim de que
seja feito estudo in loco do LAMIN/CPRM, em
TODAS as captações;
- Aferição semestral da potabilidade das águas,
mediante análises.
Pedidos para CODEMIG, COPASA e MUNICÍPIO
DE CAMBUQUIRA:
- Monitoramento trimestral da VAZÃO DAS
FONTES, com registro em planilha de valores,
por período de no mínimo 02 anos, para fins de
RECAPTAÇÃO, se tal medida se mostrar ambientalmente
apropriada;
- Apresentem, em 60 dias, projeto de saneamento
da área a montante das captação do Parque,
para viabilizar instalação de redes coletoras,
com exame da VIABILIDADE LOCACIONAL
pela SUPRAM;
- Apresentem, em 60 dias, projeto de recuperação
das águas e margens do CÓRREGO DA
LAVRA, vez que gravemente afetado;
- Em 1 ano, apresentem plano de educação ambiental,
com cronograma de atividades e ações
integradas, como parte integrante do licenciamento
ambiental do empreendimento de extração
de águas minerais.
Pedidos para COPASA:
- Apresente, em 60 dias, protocolo de instauração
de Processo de Licenciamento Ambiental
junto à SUPRAM;
- Apresente Licença Prévia do processo de licenciamento,
EIA/RIMA e Planta Planialtimétrica,
com delimitação das áreas de recarga, bem
como do fluxo subterrâneo de águas do lençol e
aquífero, a fim de ser analisado eventual impacto
negativo da atividade de explotação das águas
minerais;
- Implante, em 60 dias, sistema de monitoramento
qualitativo e quantitativo das fontes, com
análises SEMANAIS.
Pedidos para o Município:
- Apresente, em 90 dias, plano de atuação e gestão
de serviços sanitários, com cronograma de
execução, nos bairros situados no entorno do
Parque, de acordo com os limites da área de
proteção ambiental, impedindo o lançamento
sanitário in natura no Córrego da Lavra, o qual
vem sendo importante fonte de contaminação;
- Apresente, em 01 ano, plano de atuação e gestão
para criação de zonas de PROTEÇÃO AMBIENTAL,
de forma a preservar as águas e as
áreas de proteção permanente, mormente as
matas ciliares do Córrego da Lavra e suas nascentes;
- Adote todas as medidas necessárias, em 90
dias, para NÃO PERMITIR O TRÁFEGO DE
CAMINHÕES PESADOS, impedindo-se,
ainda, O TRANSPORTE DE CARGAS PERIGOSAS
NO ENTORNO DO PARQUE DAS
ÁGUAS;
- Fiscalização permanente na Figueira, de forma
a impedir a perfuração ilegal de poços tubulares
ou artesianos, sem prejuízo de identificação dos
já existentes, PARA FINS DE LACRAÇÃO, mediante
comprovação nos autos;
- Abstenha-se de autorizar novas edificações no
bairro da Figueira, a qualquer título;
- Abstenha-se de autorizar novas intervenções
no bairro da Figueira.
Medidas Técnicas e Ambientais
Para a COPASA:
- Planta planialtimétrica, com medidas corretivas.
Para o MUNICÍPIO:
- Inventário atualizado da rede coletora de esgoto
dos bairros Figueira, Lavra, Bela Vista, Regina
Coeli e Centro, efetivando medidas corretivas
quanto ao nitrato das fontes;
- Levantamento de residências em zona rural,
com a forma de destinação de seus efluentes e
resíduos domésticos, mediante descarte no ambiente
e oferecendo orientação e apoio técnico
quanto às fossas sépticas;
- ATUALIZE O PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO
DE CAMBUQUIRA, COM DEBATE
PÚBLICO E TÉCNICO ACERTA DA REGULARIZAÇÃO
FUNDIÁRIA DO BAIRRO DA
FIGUEIRA;
- Fiscalização permanente na Figueira, impedindo
construções clandestinas.
Para a CODEMIG e MUNICÍPIO:
- Se demonstrada inviabilidade jurídica e ambiental
da Figueira, adotar todas as medidas necessárias
para reparação dos danos ambientais
ocasionados, revertendo-se o quadro de contaminação;
- CERCAMENTO DO ENTORNO DA MATA,
sem prejuízo de outras medidas de preservação
que se fizerem necessárias.”
Ao término do resumo a presidente da ONG
Nova Cambuquira, Ana Paula Lemes, aproveita
para “agradecer imensamente e publicamente ao
Ministério Público, nas pessoas do Sr. Cristiano
Rocha Gazal e Sr. Bergson Cardoso Guimarães,
que têm sido verdadeiros anjos da guarda quanto
às lutas da ONG NOVA CAMBUQUIRA”,
um agradecimento de todos os cambuquirenses.

Fonte: Jornal Encontro edição 553

Recados

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Desmatamento eleva em 100 vezes o custo do tratamento da água

07/05/2014
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Além de alterar o ciclo de chuvas, prejudicar a recarga de aquíferos subterrâneos e, consequentemente, reduzir os recursos hídricos disponíveis para o abastecimento humano, o desmate da vegetação que recobre as bacias hidrográficas tem forte impacto sobre a qualidade da água, encarecendo em cerca de 100 vezes o tratamento necessário para torná-la potável.
O alerta foi feito pelo pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), durante palestra apresentada no terceiro encontro do Ciclo de Conferências 2014 do programa BIOTA-FAPESP Educação, realizado no dia 24 de abril, em São Paulo.
“Em áreas com floresta ripária [contígua a cursos d'água] bem protegida, basta colocar algumas gotas de cloro por litro e obtemos água de boa qualidade para consumo. Já em locais com vegetação degradada, como o sistema Baixo Cotia [bacia hidrográfica do rio Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo], é preciso usar coagulantes, corretores de pH, flúor, oxidantes, desinfetantes, algicidas e substâncias para remover o gosto e o odor. Todo o serviço de filtragem prestado pela floresta precisa ser substituído por um sistema artificial e o custo passa de R$ 2 a R$ 3 a cada mil metros cúbicos para R$ 200 a R$ 300. Essa conta precisa ser relacionada com os custos do desmatamento”, afirmou Tundisi.
Quando a cobertura vegetal na bacia hidrográfica é adequada – e isso inclui não apenas as florestas ripárias como também matas de áreas alagadas e demais mosaicos de vegetação nativa –, a taxa de evapotranspiração é mais alta, ou seja, uma quantidade maior de água retorna para a atmosfera e favorece a precipitação.
Além disso, explicou Tundisi, o escoamento da água das chuvas ocorre mais lentamente, diminuindo o processo erosivo. Parte da água se infiltra no solo por meio dos troncos e raízes, que funcionam como biofiltros, recarrega os aquíferos e garante a sustentabilidade dos mananciais.
“Em solos desnudos, o processo de drenagem da água da chuva ocorre de forma muito mais rápida e há uma perda considerável da superfície do solo, que tem como destino os corpos d’água. Essa matéria orgânica em suspensão altera completamente as características químicas da água, tanto a de superfície como a subterrânea”, explicou Tundisi.
De acordo com o pesquisador, a mudança na composição química da água é ainda mais acentuada quando há criação de gado ou uso de fertilizantes e pesticidas nas margens dos rios. Ocorre aumento na turbidez e na concentração de nitrogênio, fósforo, metais pesados e outros contaminantes – impactando fortemente a biota aquática.
Tundisi lembrou que, além de garantir água para o abastecimento humano, os ecossistemas aquáticos oferecem uma série de outros serviços de grande relevância econômica, como geração de hidroeletricidade, irrigação, transporte (hidrovia), turismo, recreação e pesca.
A mensuração do valor desses serviços ecossistêmicos é o objetivo do projeto “Pesquisas ecológicas de longa duração nas bacias hidrográficas dos rios Itaqueri e Lobo e represa da UHE Carlos Botelho, Itirapina, SP, Brasil (PelD)”, coordenado por Tundisi com apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“São serviços estratégicos e fundamentais para o desenvolvimento do Estado de São Paulo. Sua valoração é de fundamental importância para a implantação de projetos de economias verdes, dando ênfase à conservação dessa estruturas de vegetação e áreas alagadas”, disse.
Ciclo de carbono

Na segunda palestra do encontro, Maria Victoria Ramos Ballester, pesquisadora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou estudos realizados na Amazônia com apoio da FAPESP que revelaram a importância dos rios no balanço de carbono na Bacia Amazônica, incluindo a floresta e os solos. Parte dos resultados foi divulgada em artigo publicado na revista Nature.
“Sempre se acreditou que quase todo o carbono da atmosfera absorvido pela Floresta Amazônica ficasse fixado no solo, mas mostramos que uma parcela significativa vai para os rios na forma de folhas, galhos e sedimentos. Esse material é decomposto por microrganismos e volta para a atmosfera”, explicou Ballester.
De acordo com a pesquisadora, as águas fluviais processam em nível global praticamente a mesma quantidade de carbono estimada para os sistemas terrestres – algo em torno de 2,8 petagramas (2,8 bilhões de toneladas) por ano.
Estudos do grupo mostraram que na porção central da Bacia Amazônica a quantidade de carbono nas águas era cerca de 13 vezes maior que a descarregada no oceano.
“As análises da composição isotópica mostraram que o carbono é originário principalmente de plantas jovens, de aproximadamente 5 anos. Ele é metabolizado rapidamente dentro do rio e retorna para a atmosfera. O metabolismo do carbono ocorre ainda mais rapidamente em rios pequenos”, contou Ballester.
Mas o intenso processo de ocupação da Amazônia e a consequente mudança no padrão de uso do solo têm alterado a ciclagem de nutrientes nos rios – elevando a quantidade de carbono e reduzindo o oxigênio dissolvido –, alertou a pesquisadora.
“A maior quantidade de matéria orgânica em suspensão na água, aliada à maior penetração de luz resultante da retirada das árvores, favorece o crescimento de uma gramínea conhecida comoPaspalum, o que aumenta o consumo de oxigênio e o fluxo de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera”, contou.
Os efeitos da mudanças no habitat fluvial sobre a biota foi avaliado em um estudo realizado no âmbito do Projeto Temático “O papel dos sistemas fluviais amazônicos no balanço regional e global de carbono: evasão de CO2 e interações entre os ambientes terrestres e aquáticos”, coordenado pelo pesquisador Reynaldo Luiz Victoria.
O grupo do Cena analisou as transferências de nitrogênio e a biodiversidade de peixes de duas bacias interligadas em Rondônia, com 800 metros de extensão e as mesmas condições físicas. Uma das bacias, no entanto, era margeada por áreas de pastagem de gado e a outra possuía mata ciliar.
Os pesquisadores observaram que o rio que teve sua cobertura vegetal modificada apresentava apenas uma espécie de peixe, enquanto o curso da água cuja mata ciliar foi mantida possuía 35 espécies. Também houve alteração significativa da diversidade de espécies de invertebrados observada.
A desigualdade no acesso aos abundantes recursos hídricos existentes no território brasileiro foi tema da terceira e última palestra do encontro, proferida por Humberto Ribeiro da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP).
BIOTA Educação
O ciclo de conferências organizado pelo Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo em 2014 tem como foco os serviços ecossistêmicos.
Outros dois encontros estão programados para este semestre, com os temas: “Biodiversidade e mudanças climáticas” (relacionadas à perda de biodiversidade) e “Biodiversidade e ciclagem de nutrientes” (um exemplo é a influência da biodiversidade sobre a poluição e o equilíbrio de dióxido de carbono e oxigênio na atmosfera).
A iniciativa é voltada à melhoria do ensino da ciência da biodiversidade. Podem participar estudantes, alunos e professores do ensino médio, alunos de graduação e pesquisadores. Mais informações sobre os próximos encontros estão disponíveis em www.fapesp.br/8441.

Fonte: Agência FAPESP

Comentários:

Trazendo a questão para nossa cidade, lembramos aqui o caso do desmatamento de parte da Reserva Santa Clara, conforme vídeo postado no Facebook. Na área foi plantado café entre algumas nascentes que correm para a pequena represa da qual sai a tubulação que vai para nossa cidade.
O que preocupa, além do desmatamento é que a cafeicultura usa alguns agrotóxicos nocivos à saúde humana, alguns dos quais apontados como responsável pelo aparecimento de algumas doenças, entre elas o câncer.

terça-feira, 6 de maio de 2014