sexta-feira, 14 de março de 2008

DECADÊNCIA DO CIRCUITO, UM ALERTA AOS POLÍTICOS.

NÃO QUERO QUE A MINHA CIDADE SEJA LEMBRADA COMO APENAS UM POSTAL CORROÍDO PELAS TRAÇAS E PELO TEMPO. NEM QUE FIQUE O SEU RETRATO JOGADO NO FUNDO DE UMA GAVETA ESQUECIDA DE UM MÓVEL VELHO! QUERO VÊ-LA SEMPRE COLORIDA, REPRESENTANDO O PROGRESSO, NÃO A DECADÊNCIA E A ESTAGNAÇÃO!.

Sempre encarei a decadência como se fosse um acontecimento exclusivo da minha cidade. Mas, hoje acabei por concluir que o fato atingiu toda região do Circuito das Águas. Quando falo “região” quero me referir ao conjunto formado pelas Estâncias de S.Lourenço, Caxambu, Lambari e Cambuquira.
São cinqüenta anos de decadência que provocou a estagnação dessas cidades. São Lourenço, talvez devido a sua natureza de “centro regional”de sub-região, apesar de ter sido afetado ainda respira algum ar de cidade turística. Em segundo lugar vem Caxambu que tem um comércio mais forte ajudado, como também acontece com São Lourenço, pelas cidades vizinhas e menores que têm nessas cidades o seus centros de compras, e hoje até de cursos superiores. Depois vem Lambari, ajudada no comércio por Jesuânia,Olímpio Noronha e até Heliodora. Cambuquira vem depois quase que empatadas com Lambari, mas infelizmente em pior situação já que não tem ajuda de ninguém, e ainda perde receitas e divisas para o comércio de Três Corações,cidade-polo da região. E, por causa disso perdeu muita coisa nos últimos anos,e ganhou o apelido de “a cidade do já teve”.
São Lourenço culpa a Nestlé por ter prejudicado suas águas com a super exploração, fator que poderia ter contribuído negativamente no seu turismo e na qualidade de suas águas minerais.
Mas, o que aniquilou verdadeiramente o veraneio foi a mudança de comportamento dos visitantes e a não adequação de nossas cidades aos novos tempos. Os antigos veranistas não conseguiram transmitir aos descendentes o mesmo gosto que tinham pelas nossas cidades.Seus filhos passaram a ditar os novos rumos das famílias. Antes era o culto à saúde ao descanso, hoje a mania é praia, atividades diversas e sol. Até nós os caipiras "vez por outra" até vamos ao litoral! Por outro lado, os mais abastados que freqüentavam a região hoje têm mais chances de visitar o “mundo”. E, nós não temos condições de competir com o primeiro mundo.
Assim, vários hotéis foram fechados, cinemas transformados em “templos de seitas”, os cassinos fechados por decreto-lei, e os balneários inoperantes demitiram os seus funcionários. Os charreteiros procuraram outras ocupações e venderam seus cavalos para a “fábrica de salame”.
Os prefeitos, adeptos de apostas, entraram em mais uma roleta, a ficha de que os cassinos seriam reabertos. E, enquanto isso não acontecia nada mais se fez para suprir a falta de empregos. Conseqüentemente, grande parte da população durante os anos que passavam não teve outra alternativa que não fossea a de “migrar” para outros lugares.
Até hoje os culpados estão sendo procurados. Os culpados do passado já morreram. Os de hoje? Ainda se indaga quais são, embora todos os conhecem e muito bem.
Quanto a nós, o pecado mortal é ainda continuar amando nossas cidades para acabarmos junto com elas.

Neste ano teremos eleições. Se não tivermos candidatos competentes para mudar o atual estado das coisas, não elegeremos prefeitos ou vereadores, elegeremos mais quatro anos de decadência e estagnação.
Por outro lado, cabe aos políticos que cuidam das cidades colocar a mão na consciência e escolher qual a imagem que querem deixar para o futuro. O seu nome estará ligado ao progresso ou ao fracasso e isso acompanhará não só cada um dos que passaram pelas prefeituras e pelas câmaras municipais. O mau cheiro ou o perfume será exalado também nos seus descendentes. A história está aí para contar. E, cada um dos nós, principalmente os políticos estamos escrevendo a história que será lembrada mais tarde.
Políticos, pensem nisso!...Não deixem uma herança maldita para os seus herdeiros
.

O POVO NÃO PODE SE ACOSTUMAR COM A DECADÊNCIA E ESTAGNAÇÃO COMO O PEIXEIRO SE ACOSTUMA AO CHEIO DA PEIXARIA.


PENSAMENTO DO DIA QUE SERVE DE ALERTA PARA ESSA GENTE ACOMODADA QUE ESPERA QUE FAÇAM EM VEZ DE FAZER ELA MESMA.

TIANA VERANISTA.

Tiana Veranista, dos retratados por Margô, era a menos sociável. Ela quase não falava. E, o pouco que balbuciava quando ficava furiosa era praticamente incompreensível.
Tiana era sempre provocada pelos garotos que adoravam a cena que ela fazia: "levantava a saia e mostrava tudo, já que não usava roupas íntimas" enquanto gritava algumas palavras do seu dialeto próprio. Em algumas vezes atirava o que tivesse perto dela. Muitos meninos levavam pedradas dela se não corressem depois das provocações.
Qualquer coisa era motivo para as suas cenas. Até mesmo chamá-la de Veranista.

Talvez nem entendeu bem o que a fotógrafa fazia com aquela maquininha perto dela. Ou até soubesse. Mas, como não falava o que pudéssemos entender, não pode opinar sobre essa ação.

* Dizem que o seu apelido surgiu num dia quando ela vestia bons trajes doados por algum turista, com chapéu e tudo, além de uma boca pintada com "baton" vermelho.

BATATA DOCE.

Ela detestava esse apelido, que não sei porque ficou conhecida.
Adorava que a chamassem de Luiza, o seu nome de batismo, embora quase todo mundo a conhecia mesmo como “Batata” ou “Batata Doce”.
Quando me via, nos dias de bom humor, ela se dirigia a mim com uma pergunta repetida continuamente. E, mesmo que eu confirmasse a sua indagação sobre o meu nome ela continuava a repetir por diversas vezes. No final, entoava, para completar, um sonoro “é!...”
__Seu nome é Roberto, Roberto da Naninha. Roberto, não é Roberto? É!...
Para não contrariar, sabendo que ela ficaria furiosa se não confirmasse, eu afirmava:
__Sim! Sou o Roberto da Naninha.
__Pois é Roberto da Naninha, Roberto da Naninha........ “Ela repetia mais um tanto de vezes.
Mas, tinha dia que nem podíamos dizer-lhe: “Oi Luiza!”.
Quando estivesse de mau humor, o melhor seria era fingir que nem a conhecia. Pois, se estivesse enganados com relação ao seu estado de espírito, ela até poderia vir de novo com a mesma indagação:
__Roberto da Naninha? Pois é! Roberto da Naninha.

Diziam que ela num daqueles acessos de mau humor, certa vez pegou um menino lá no Bairro da Lavra e deu-lhe várias dentadas que o levaram para hospital para alguns pontos no traseiro. Mais tarde, esse garoto tornou-se prefeito da cidade. As pessoas até brincavam com esse episódio e diziam em tom jocoso que só a Batata Doce tinha condições de dar um jeito naquele prefeito.

Mas, o episódio mais engraçado aconteceu com dois primos meus: João Roberto e Dirce.
Minha tia, muito brincalhona, para chatear o filho dizia que quando ele crescesse ele iria se casar com a “Batata Doce”. E, num dia ela comentou com Luiza sobre essa “promessa”:

__Luiza, quando João Roberto crescer, ele vai se casar com você!...

E, não é que ela acreditou.Com o passar do tempo, ela foi à casa de minha tia para cobrar o cumprimento da promessa. Queria mesmo se casar com o jovem rapaz e não desistia disso. Minha tia contornava o fato com desculpas de que ele ainda era muito jovem e que estava estudando.
Mas, num dia,Dirce, irmã do jovem João,irritada com tanta persistência, acabou por falar sério com ela. Disse-lhe que não havia condições daquilo acontecer e que ele era um rapaz jovem e ela já idosa.
Para que ela fez isso? Luiza tomou de um ódio mortal pela “cunhada” e saiu depressa da casa para nunca mais lhe dirigir uma palavra e nem voltar à caça daquele noivo. Mais tarde as duas se encontraram na Prefeitura, onde Luiza se dirigiu para indagar sobre alguma coisa.Dirigiu-se à Dra. Mariângela, assessora do prefeito que ficava no mesmo recinto. Como esta estava ocupada, Dirce resolveu se dirigir a Luiza para esclarecer-lhe sobre a sua indagação. Luiza virou o rosto como alguém que levava um a bofetada e falou em alto e bom tom:

“__Oh Mariângela! Mariângela! Diz pra essa menina que a conversa ainda não chegou na cozinha não!...

Todos riram muito, menos Luiza que continuou muito séria.
Mas, Luiza, ou “Batata Doce”, como todos a conheciam, era uma pessoa ativa nos seus negócios. Recebia uma aposentadoria como doméstica com a qual pagava corretamente as suas continhas.Inclusive tinha uma continha na Loja do Pinguinho onde todo mês ela ia lá para pagar a sua prestação.
Nos últimos tempos, teimosa como era, fugia da Vila Vicentina onde não queriam que ela saísse mais, devido à idade. Mas, como o portão nunca era trancado. Luiza saia para os seus passeios e quando voltava já era noite. Isso quando não resolvia dormir na via pública mesmo.
Numa dessas saídas, ela dormia assentada na soleira da porta da casa do Sr. Teófilo Silva, perto do Supermercado do Jaime. E, foi nessa mesma soleira que Margô a fotografou, talvez num dia de bom humor pois ela não se opôs a isso. E, com certeza deve ter passado a noite lá.
Não sei quando foi a sua passagem. Só sei que ela não está mais conosco e com certeza faz falta na paisagem de Cambuquira.

Para mim, ao olhar sua foto vejo que ela ainda se dirigiu à Margô que a fotografava. Mas, essa mesma cena me faz lembrar nas suas constantes indagações:

“__Você é o Roberto da Naninha. Não é? Roberto da Naninha! É!...."

“Feijão Prá Janta”

Para quem não nasceu ou viveu em Cambuquira, o título pode até soar como mais uma comida típica mineira. Mas, não é. “Feijão Prá Janta”foi o apelido que deram a um desses seres “especiais” que vêm ao planeta terra com alguma missão que os pobres mortais, dito normais, não conseguem entender. Mas, pode crer que nada acontece por acaso e tudo tem a sua explicação de “ser” ou “não ser”.
Seu nome, salvo engano, ele nos contou certa vez e há muito tempo atrás, era José Reis. Mas, ninguém sabia desse seu nome de registro pois todos, como “Capricho”, o conheciam como o saboroso nome de “Feijão”. Aliás, com sobrenome e tudo: “Feijão Prá Janta”.
A primeira vez que o vi, foi nos meus longínqüos doze anos, quando nos mudamos para o “Bairro Carioca”, naquele tempo com o apelido nada pomposo de “Pasto do Dr. Ordomundi”, pois quase não existiam casas por lá.
José Reis apareceu na minha casa com um boné de pano cheio de chuchus e ofereceu a minha mãe, que mesmo receosa aceitou para mais tarde jogar tudo na lata de lixo. A razão da sua atitude era que os cabelos do jovens rapaz não tinha mais lugar para “lêndeas”. Em troca daquele presente, minha mãe que já o conhecia, lhe deu um lanche que ele saboreou muito contente. E, assim ele acostumou a passar sempre por lá para pedir alguma coisa.
Com o tempo, José Reis virou “Feijão Prá Janta”. O motivo: ele passou a pedir dinheiro. E, quando lhe perguntavam para quê, ele respondia:
“__Prá comprar feijão, feijão prá janta.”E, assim todo dia ele passava por lá com o mesmo argumento: “prá comprar feijão prá janta.”
Na realidade, o pobre José Reis já era viciado num cigarrinho de palha ou de papel. E, o dinheiro era mesmo para comprar cigarros, que ele fumava sem parar até tornar os seus dentes todos amarelos.
Com o correr do tempo, Feijão Prá Janta já declarava que o dinheiro era mesmo para “comprar cigarrinho” , “tomar cafezinho”e “feijão prá janta”, é Claro!...
Todo dia ele passava pelo bairro e se dirigia a zona rural do Marimbeiro e Miranda de onde ele voltava à tarde com um saco de palhas de milho nas costas, encomenda de sua mãe que trabalhava com artesanato, de onde ela tirava recursos para o sustento de José e de mais uma irmã.
Nos últimos anos de sua vida, levaram-no para viver na Vila Vicentina, onde ele virou uma espécie de porteiro, que ele mesmo deve ter escolhido para continuar esmolando com o velho costume e os mesmos argumentos de sempre; “cigarrinho, cafezinha e feijão prá janta”.

Depois nunca mais o vi. E, mais tarde, soube que teria terminado a sua missão na terra e não estava mais entre nós. Mas, o sonoro “feijão prá janta” ainda ecoa na mente na minha mente e na de muitos cambuquirenses que o conheceram. Como um anjo que nunca prejudicou ninguém foi, como outros tantos especiais que têm a missão de nos fazer refletir sobre a existência de cada um de nós.


Na foto acima, gentileza de Margarida Camerini, José Reis Feijão Prá Janta parece que entendia bem o sentido daquele momento e sorriu,com o seu sorriso literalmente amarelo, para posteridade.

Nelson Lemes, o filosofo das águas.

Nelson Lemes, tido por muitos como um simplório que só sabia carregar água mineral para os fregueses que tinha, era um homem dotado de inteligência acima da média. Atrás daqueles óculos que melhoravam a pouca visão dos seus olhos, residia num corpo fraco um poeta. No seu carrinho, que ele conseguia puxar com dificuldades apesar do peso dos diversos garrafões d’água que ele apanhava no Parque das Águas, ele ostentava inúmeras frases próprias, versículos bíblicos e pensamentos do dito popular, que viraram atração.
Os turistas paravam para se fotografar com ele e sua imagem deve ter corrido o país como lembranças dos velhos e bons tempos da nossa Estância Hidromineral.
Dizem que, como espírita, era capaz de dissertar de improviso, o que encantavam a todos no Centro Espírita Cristão de Cambuquira. Muitos acreditavam que naquele momento ele incorporava algum ente de luz que mudava a sua voz e o fazia um portador de belas mensagens religiosas. Ao sair do centro religioso, Nelson voltava a ser o “agüeiro” de sempre.
Nos últimos dias de sua vida, ele passou a freqüentar também as missas, sem perder nenhum domingo ou dias santos. E, com o mesmo fervor e dedicação acompanhava a liturgia, cantava e rezava com todos os demais.
Num dia tentei ajudá-lo a empurrar o pesado carrinho morro acima perto do Ponto dos Cem Réis, persebendo que ele já sentia dificuldades para puxar aquela carga pesada que quase o levantava do solo. Mas, ele rejeitou a minha ajuda e disse que não era para me preocupar não que ele agüentava. E, subiu sozinho a grande ladeira até a Rua Direita onde ele tinha alguns fregueses.
Passaram-se alguns meses e não vi mais o velho agüeiro. Disseram-me que ele estava doente e que já não conseguia mais puxar aquele seu pesado carro alegórico.
Nelson, pouco tempo depois, foi ao encontro de seus antepassados e deixou nossa cidade mais triste sem as suas frases poéticas, e menos interessante sem esse atrativo diferente.
Na foto, Nelson olha bem a lente da câmera de Margarida Camarini como alguém que conscientemente queria transmitir alguma mensagem para o futuro.

Nota: Quando enviar comentários que exija resposta, favor fornecer o e-mail para retorno.

MARTINZÃO, o cambuquirense que virou andarilho.

Nos bons tempos de Estância, a cidade tinha os seus times de futebol. Dizem que num desses jogava um jovem negro dos seus dois metros de altura, e que chamava atenção do público pelas sua altura e desenvoltura em campo. Pedreiro, trabalhador e honesto, como todo rapaz, tinha a sua paixão. Mas, esse amor não correspondido o fez se transformar num personagem triste que acabou por abandonar tudo e ir para São Paulo e de lá, dizem que foi pelo mesmo motivo, acabou se tornando no andarilho “Martinzão”.
Pegou o pouco que tinha, colocou num saco e tomou o rumo de sua terra natal. Andou muito. Dormia à beira da estrada onde montava a sua cabana de papelão e plástico.
Com certeza essa viagem deve ter levado meses, mesmo sendo a distância da capital paulista à Cambuquira pouco mais de 300 Km. Passava frio e fome nessa viagem de volta até que um dia chegou. Não encontrou provavelmente a sua amada e se transformou definitivamente num homem de estradas. Cambuquirenses que viajavam o encontrava nos mais diversos e longínquos lugares. Ele foi visto com sua cabana à beira da estrada que liga S.Gonçalo do Sapucaí à Cordislândia, na beira da estrada que liga Cambuquira a Três Corações e em vários outros lugares.
Quando voltava à sua terra natal ele acostumava ficar acampado lá pelos lado da “Bacia”, onde ele tinha água para lavar suas roupas e cozinhar,ou perto de onde antes existiu a casa de Charles Berthaud na Av. Visconde de Ouro Preto.
Quem passava pelo local, ou resolvia lhe dar alguma coisa que ele recebia muito agradecido, o via sereno a folhear jornais e revistas velhas, ou mesmo fazendo o seu almoço. Não importunava ninguém, apenas olhava discretamente que parasse para vê-lo como uma curiosidade.Uma das peculiaridades desse cidadão era que ele colocava alguns pedaços de papel nas narinas (como se pode verificar na foto), o que motivo um sobrinho meu quando criança falar que era para não entrar bicho no nariz dele que era muito grande.
Num dia, alguém, talvez um daqueles turistas que tinham casas no bairro, resolveu lhe dar uma barraca de “camping” para que ele pudesse ficar mais confortável e não ter que carregar toda aquela “tranqueira” pesada nas costas quando mudava de lugar.
Martinzão calado recebeu a doação e a usou por poucos dias.
Era pequena e azul mas dava para dormir e se abrigar da chuva e do frio, em vez de usar as enormes caixas de papelão e plástico.
Mas, o que parecia a solução para o seu problema de moradia acabou por ser uma desgraça.
Num dia, quando Martinzão saiu talvez para apanhar água para os seus cozidos, alguma dessas “almas penadas da vida” colocou fogo da barraca e queimou tudo que o pobre negro tinha, talvez até as suas lembranças e parte de sua vida.
Moradores o viram desorientado a caminhar sem nada pelas ruas como se tivesse perdido ainda mais a noção do tempo e espaço. E, sem lugar para dormir e nem roupas para se trocar deve ter sido apavorante para aquele pobre coitado que procurou a sua terra natal como um refúgio.
Essa foi a última imagem que tiveram daquele negro que apesar de ter um tamanho maior do que a maioria e dormir nas barracas não metia medo em ninguém.
Martinzão tom alguma estrada e novamente, sem rumo, sumiu e virou lenda.
Pouco tempo depois comentava-se na cidade que um andarilho negro e alto fora encontrado morto na beira da estrada numa cidade da região. Calculou-se que poderia ser aquele cambuquirense andarilho, mas enterrado talvez como indigente em algum lugar, nunca foi identificado, mesmo porque ninguém conhecia os seus parentes, se é que os tinha na cidade.
Uma outra hipótese para o incêndio foi que ele poderia ter deixado alguma coisa a cozer perto da barraca e já que era feita de material altamente inflamável fora consumida instantaneamente.

Na foto acima, está Martinzão na sua barraca de papelão e plástico, com as narinas tapadas com papel, a mirar bem as lentes de Margarida Camarini, sem saber que este seria o seu registro para posteridade.

quinta-feira, 13 de março de 2008

101 ANOS DE DISPOSIÇÃO.

No último exemplar do Jornal Encontro, versão em pdf, fiquei sabendo que D.Mariazinha, ou melhor Maria Laura Hermida Sales Gomes, fez recentemente 101 anos de vida.
Quem a conhece não acredita que ela seja uma senhora centenária. Parece que tem a metade disso.
No evento feito em sua homenagem na Casa da Amizade, D. Mariazinha deu a receita para chegar aos 101 anos com muita disposição: “Ter uma religião. Ter uma boa família. Alimentar-se bem. Não ter inimigos e nem ódio no coração. Fazer o Bem acima de todas as coisas.”
Ela é o exemplo vivo de dedicação às causas comunitárias durante toda a vida.

Parabens para essa jovem senhora de 101 anos!

terça-feira, 11 de março de 2008

VENDE-SE ESSA PROPRIEDADE.


Vende-se essa propriedade localizada na Av. João de Brito Pimenta (Centro), perto do Parque das Águas, Hotel Trilogia. Òtima localização comercial. A propriedade tem estimadamente 1400 metros quadrados de terreno com duas residências (construção antiga, como se pode ver)
Avaliação: 150 mil - aceita-se propostas.

Propostas para o e-mail do blog.

A ARTE FOTOGRÁFICA DE MARGÕ CAMARINI.

As fotos que você vê nesse quadro são de Margarida Camarini.Ela conseguiu, através das lentes, registrar um pouco dos personagem que povoaram o tempo que passamos na nossa cidade de Cambuquira. Cada uma das pessoas registradas traz a sua história particular, que quase ninguém deu importância. Mas, a nossa artista das fotos, como Waldir Rodrigues que registrou as paisagens e repetiu os feitos de Álvaro Costa, Margô registrou as pessoas.
Pena que as autoridades, que deveriam dar valor às manifestações culturais, ainda não descobriram que isso também é cultura e história de nosso povo.


















(Zé do Pito, Martinzão, Feijão Prá Janta,Cid, Capricho e Batata Doce)
Acima estão alguns desses seres especiais eternizados nas fotos como prova de ninguém esteve ou está aqui por acaso. Mesmo as mais simples das pessoas, com certeza, exerceram o seu papel inconsciente dentro desse grande esquema que denominamos “comunidade”.
As obras de Margarida, como os seus personagens, são provas disso.
Como já tinha feito com “Capricho”, cujo texto repeti no blog, vou tentar descrever do meu ponto de vista, e o que conheci e o perfil de cada um dos retratados.

Você,quando olhar e conhecer um pouco das histórias deles, com certeza você também não será mais o mesmo. Então,poderemos refletir sobre nós mesmos: “o que fazemos aqui e qual o papel que realmente representamos ou que devíamos representar”. Também reflita sobre o papel que você exerce no seu meio. Pense nisso!...