NÃO QUERO QUE A MINHA CIDADE SEJA LEMBRADA COMO APENAS UM POSTAL CORROÍDO PELAS TRAÇAS E PELO TEMPO. NEM QUE FIQUE O SEU RETRATO JOGADO NO FUNDO DE UMA GAVETA ESQUECIDA DE UM MÓVEL VELHO! QUERO VÊ-LA SEMPRE COLORIDA, REPRESENTANDO O PROGRESSO, NÃO A DECADÊNCIA E A ESTAGNAÇÃO!.Sempre encarei a decadência como se fosse um acontecimento exclusivo da minha cidade. Mas, hoje acabei por concluir que o fato atingiu toda região do Circuito das Águas. Quando falo “região” quero me referir ao conjunto formado pelas Estâncias de S.Lourenço, Caxambu, Lambari e Cambuquira.
São cinqüenta anos de decadência que provocou a estagnação dessas cidades. São Lourenço, talvez devido a sua natureza de “centro regional”de sub-região, apesar de ter sido afetado ainda respira algum ar de cidade turística. Em segundo lugar vem Caxambu que tem um comércio mais forte ajudado, como também acontece com São Lourenço, pelas cidades vizinhas e menores que têm nessas cidades o seus centros de compras, e hoje até de cursos superiores. Depois vem Lambari, ajudada no comércio por Jesuânia,Olímpio Noronha e até Heliodora. Cambuquira vem depois quase que empatadas com Lambari, mas infelizmente em pior situação já que não tem ajuda de ninguém, e ainda perde receitas e divisas para o comércio de Três Corações,cidade-polo da região. E, por causa disso perdeu muita coisa nos últimos anos,e ganhou o apelido de “a cidade do já teve”.
São Lourenço culpa a Nestlé por ter prejudicado suas águas com a super exploração, fator que poderia ter contribuído negativamente no seu turismo e na qualidade de suas águas minerais.
Mas, o que aniquilou verdadeiramente o veraneio foi a mudança de comportamento dos visitantes e a não adequação de nossas cidades aos novos tempos. Os antigos veranistas não conseguiram transmitir aos descendentes o mesmo gosto que tinham pelas nossas cidades.Seus filhos passaram a ditar os novos rumos das famílias. Antes era o culto à saúde ao descanso, hoje a mania é praia, atividades diversas e sol. Até nós os caipiras "vez por outra" até vamos ao litoral! Por outro lado, os mais abastados que freqüentavam a região hoje têm mais chances de visitar o “mundo”. E, nós não temos condições de competir com o primeiro mundo.
Assim, vários hotéis foram fechados, cinemas transformados em “templos de seitas”, os cassinos fechados por decreto-lei, e os balneários inoperantes demitiram os seus funcionários. Os charreteiros procuraram outras ocupações e venderam seus cavalos para a “fábrica de salame”.
Os prefeitos, adeptos de apostas, entraram em mais uma roleta, a ficha de que os cassinos seriam reabertos. E, enquanto isso não acontecia nada mais se fez para suprir a falta de empregos. Conseqüentemente, grande parte da população durante os anos que passavam não teve outra alternativa que não fossea a de “migrar” para outros lugares.
Até hoje os culpados estão sendo procurados. Os culpados do passado já morreram. Os de hoje? Ainda se indaga quais são, embora todos os conhecem e muito bem.
Quanto a nós, o pecado mortal é ainda continuar amando nossas cidades para acabarmos junto com elas.
Neste ano teremos eleições. Se não tivermos candidatos competentes para mudar o atual estado das coisas, não elegeremos prefeitos ou vereadores, elegeremos mais quatro anos de decadência e estagnação.
Por outro lado, cabe aos políticos que cuidam das cidades colocar a mão na consciência e escolher qual a imagem que querem deixar para o futuro. O seu nome estará ligado ao progresso ou ao fracasso e isso acompanhará não só cada um dos que passaram pelas prefeituras e pelas câmaras municipais. O mau cheiro ou o perfume será exalado também nos seus descendentes. A história está aí para contar. E, cada um dos nós, principalmente os políticos estamos escrevendo a história que será lembrada mais tarde.
Políticos, pensem nisso!...Não deixem uma herança maldita para os seus herdeiros.














