sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A CIDADE DO "JÁ TEVE"...

Texto em reedição 05/2010
Minha geração, na da casa dos 50 a 60 anos, nasceu quando a cidade já começava a descer depois de um bom ciclo desde a sua fundação, com o seu primeiro prefeito, Raul Sá, Por volta dos anos 60 a descida começou. E, essa queda não parou, acelerando-se cada vez mais. Só quem é cego não vê a estagnação instalada com essa decadência.


Por causa disso, um jornal de Cambuquira publicou um artigo de alguém que a alcunhava de a cidade do “já teve”. Já teve isso, já teve aquilo. Já teve rádio, agência de automóveis, aeroporto com linha regular para o Rio de Janeiro, gráfica e muito mais, conforme podem confirmar neste texto. Parodiando essa nota antiga de um jornal de Cambuquira, e comentário foi repetido no Orkut, numa comunidade que auto se intitula a “cidade do já teve”. (Coincidentemente, um candidato de Varginha usou a mesma expressão para se referir a sua cidade!...Lá, o apelido não é nem adequado.)

O pior de tudo é que alguns membros da comunidade ainda teimam em fechar os olhos e tapar os ouvidos por acreditar numa "utopia" que a Estância ainda é aquela das velhas fotos estampadas neste blog. Para se ter uma idéia, conforme informou um leitor, numa reunião para discutir a atual situação,um cidadão não admitiu críticas para que isso não denegrisse a Estância, afastasse os visitantes e prejudicasse mais o seu turismo.

Todos torcemos que a cidade volte ter o turismo de antes, algo pouco provável com a mudança de comportamento das pessoas e as milhares de novas ofertas mais tentadoras, enquanto as Estâncias Hidrominerais em geral não se adequaram aos novos tempos.

“Ninguém pode tirar o direito humano de se indignar, pois quando não puder isso mais exercer a humanidade estará condenada à extinção.”


O que a cidade "já teve"?



A primeira “perda” registrada na cidade é um caso foi o narrado por Manoel Brandão em seu livro “Cambuquira” e editado pelo IBGE em 1958. Trata-se da “Charcuteria Lahmeyer e sua Granja Maroim” de propriedade de Rodolpho Lahmeyer, inaugurada em 1923.



Nessa indústria pretendia-se fabricar embutidos ao estilo alemão, “bacon”, presunto, salsichas, inclusive enlatados, como aliás chegou produzir, inclusive as embalagens(latas de metal). Mas, uma crise que se abateu sobre o país afetou diretamente o complexo industrial que tinha uma granja onde criava suínos e bovinos para suprir a produção da industria. Para alimentar esse plantel, o Sr Lahmeyer recorreu a importação de milho, sendo que o navio que transportava o produto fora requisitado pelo Governo Federal no porto do Rio de Janeiro, provocando falência total da empresa cambuquirense. O empresário acabou por ter que vender todo plantel, inclusive as matrizes reprodutoras e aquilo que iria ser o marco do desenvolvimento da cidade, os “Produtos Lahmeyer” não passou de um sonho.Este foi o primeiro grande golpe contra cidade que despontava com um futuro promissor.


Geradora própria de energia elétrica:



Conforme cita a obra de Tomé e Manoel Brandão, Cambuquira “já teve” a sua própria geradora de energia elétrica, cujo motor movido à lenha de propriedade dos srs. Leonardo de Freitas e Pedro Nicola, da cidade paulista de Mococa, serviço inaugurado em 12 de outubro de 1912 com o privilégio de exploração, conforme contrato por 25 anos. Essa empresa foi encampada, antes do término do contrato, aliás com pouco mais de 2 anos de existência, sendo que para isso o município desembolsou a quantia de 20 contos de réis. Pelo que indica “Memórias” do Padre Antonio Ferreira, outra obra histórica sobre a cidade, essa usina funcionava enfrente a Estação Ferroviária, no local onde hoje se localiza a empresa Pré-Moldados de Material de Construção, de propriedade do ex vice-prefeito José Fabiano Gonçalves e filhos, na esquina da Av. Francisco Lemos com Virgilio de Melo Franco no Bairro da Estação.


Na década de 60, as obras:



Nos 60 anos a cidade teve: uma reforma discutível do parque das águas, quando se destruiu o parque original de estilo francês (desculpe-me se não for essa a definição) para adaptá-lo ao novo estilo que JK construiu Brasília. Uma nova estação ferroviária foi construída no mesmo estilo, e que funcionou por alguns meses para que a rede ferroviária fosse desativada, a construção da biblioteca num lugar . Parece que aquela obra em vez de melhorar o desempenho do turismo marco o início da queda na freqüência turística e conseqüente fechamento de alguns hotéis menores, queda no número de empregos e êxodo da população.


Outros empreendimentos que a cidade “teve” nesses 50 anos:



Rádio Cultura - ( sintonizada em todo o Brasil, e até no exterior, conforme atestava o Sr. Milton Oliveira, antigo locutor da emissora, falecido recentemente, portador de uma carta por ele recebida e enviada por um brasileiro que residia na Suécia e ouvinte da emissora naquele longínqüo país).


Nessa emissora trabalhara, conforme nota do Jornal Encontro mais recente, Sidney Villar(falecido recentemente), ainda muito jovem ao lado de seu pai, um dos proprietários daquele empreendimento.

Dessa rádio me lembro da montagem da nova torre alto da Lavra/Figueira que nunca chegou a funcionar já que naquele tempo, pois ainda na década de 50, ela fora vendida e transferida para outro lugar.


Depois dessa rádio, Cambuquira ficou muda por muito tempo. No final dos anos 90 um grupo de pessoas, num outro exemplo de mobilização comunitária, lideradas por Philipe Guedon e outras pessoas da comunidade, com o patrocínio da ACIAC, a cidade partiu para instalação de uma rádio comunitária, baseado no projeto de Lei da categoria que estava em tramitação no Congresso Nacional. Mas, a emissora que não obteve a outorga como todos almejavam, acabou por ter o seu transmissor lacrado, mesmo sendo este um dispositivo homologado pela própria Anatel. E, infelizmente, até hoje devido a erros primários e exigências do próprio regulamento, a cidade não conseguiu sua estação. Já são 10 (dez) anos de espera entre um pedido e outro.


A Rádio Comunitária de Cambuquira, enquanto durou, foi um sucesso. Ela serviu muito a comunidade, comércio e órgãos públicos nos seus comunicados. Mudou comportamento e alegrou nossa comunidade.


Felizmente, um novo pedido, conforme informação dos organizadores, está prestes a ser liberado. Aparelhos e programas comprados, a ACÁCIA-FM deve entrar no ar logo, já que está na fila de espera das outorgas nos órgãos federais.


A questão de radiodifusão na cidade não para por aí, em buscas na internet descobri que uma entidade sediada em Belo Horizonte teria uma outorga de uma Rádio FM-Educativa.Essa outorga saiu em 2003, portanto há 5 (cinco) anos para a FUNDAÇÃO VILA RICA DE RÁDIO E TELEVISÃO EDUCATIVA.(concessão para dez anos de exploração do canal, renováveis conforme determina a Lei.).


Com certeza, perderemos um canal de Rádio Comercial, licitação aberta em 2010, por desinteresse, principalmente do Poder Público local que poderia aproveitar essa chance única para perdermos esse complexo de ser o município sem voz na região.

Infelizmente não tomaram medidas concretas sobre esse veículo de extrema importância para nossa cidade. Por outro lado, não estaria na hora de uma mobilização da comunidade com relação a fatos como esse?







Cine Elite – de propriedade do Sr. Annunciato Ponzo, onde a população, principalmente os jovens, assistiam os grande lançamentos do cinema mundial. Como prefixo que anunciava que a programação iniciava-se era tocada a música “night and day” com Ray Coniff que era seguido do jornal Canal 100, documentário sobre os últimos jogos dos campeonatos de futebol entre outras notícias.







Concessionárias de veículos:


Omar – Organizações Manes de Automóveis e Representações, agência Volkswagen para Cambuquira e região, dirigida por Omar Feix e Herberto Manes;


Manes & Cia dirigida por Newton Marques Manes, assessorado por seu irmão José Marques Manes, naquela época e, que foi vendida recentemente a um grupo da área era dirigida por Newton Raimundi Manes e irmãos.


Alem dessas duas agências, ainda tivemos antes uma agência da Ford e uma representante da Chevrolet (General Motors), a primeira de Oscar Marques e a segunda de André Bacha, que também foi prefeito da cidade;






Hotéis: Avenida (demolido); Astória (demolido); Hotel Fonte do Marimbeiro (demolido),




São Francisco (desativado); Globo (desativado e adquirido pela prefeitura que o transformou na sua sede administrativa); Empreza (desativado e depois adquirido pelo Grupo Trilogia tendo o seu nome mudado para Hotel Trilogia); Hotel Elite (desativado – adquirido recentemente por uma turista que pretende reformá-lo conservando as suas características de estilo romano), Icaraí (demolido), e outros menores citados no livro de Cambuquira como Hotel Mirim, Ipiranga, etc.










Estádio Municipal de Futebol: Este campo de futebol que chegou a receber times como o Fluminense e outros da região, além de ter sido palco de muitas disputas dos times da cidade como a JAG – Juventude Atlética Ginasiana formada por alunos do Colégio Clóvis Salgado, Leão do Sul, o principal rival da JAG; Nacional, Novo Horizonte, e principalmente do orgulho dos cambuquirenses, a Associação Atlética que com seu uniforme azul parecido com o do Cruzeiro, era um time quase imbatível.. Dessa associação saíram jogadores transferidos para grandes times, como Zezé do Poderoso que chegou jogar no Corinthians Paulista onde uma contusão o afastou do esporte para sempre.


Hoje, apesar do esporte ser uma atividade saudável, nossos jovens não participam e não se destacam em nenhuma área, pela simples razão de não haver incentivo para o esporte na cidade.









Educação: Santa Filomena ( colégio comercial, fundado pelo Padre Joel Pinheiro Borges, que sem apoio do poder público, mesmo sendo o primeiro estabelecimento de 2º grau da cidade, teve que ser fechado logo após a formatura de sua primeira turma.); Externato Tiradentes( desativado) que pertencia aos professor Calil Abdo Acary e D.Sebastiana Ferreira. Ali estudavam os filhos dos mais abastados da cidade desde o jardim até o básico (grupo escolar), São José (desativado) que pertencia à Irmandade das Irmãs de S.José, que aos prantos foram embora quando desativaram o colégio e não puderam transformá-lo numa entidade de assistência social devido a negativa da prefeitura que detinha o direito de posse e domínio da propriedade quando isso acontecesse conforme contrato de comodato firmado entre o poder público e as primeiras freiras fundadoras.






Indústria e comércio(desativadas): Fábrica de Ladrilhos (de Quinca Lifonso); Café Cambuquira (fundado pela família Möller e transferido mais tarde para família Calil, que recentemente a vendeu para um grupo de S.Lourenço que a transferiu para aquela cidade, fazendo com que nossa cidade perdesse um produto que divulgava o nome desta estância), Industria de Bebidas Canarana ( de propriedade da família Generoso, instalada no Bairro Rural do Congonhal, vendida e transferida para outra cidade); GAVA Metalúrgica (fundada por Cambuquirenses, hoje propriedade de Gerson Ferreira da Costa, que depois de falta de apoio na cidade se transferiu para Conceição do Rio Verde); Metalúrgica l2 de Outubro (fundada por Aloísio do Prado, cambuquirense que sem apoio, e por que não dizer perseguição, se transferiu para Campanha); Panaex (desativada); Casa Barros de Material de Construção (desativada com o falecimento de seus principais sócios) era uma das principais casas do ramo da cidade e da região, Supermercado Serve Bem ( da família Torino, hoje desativado), além de outros estabelecimentos menores como a Casa Torino, Casa Kaé, Restaurante Cambuquira, Cristal, Roma e recentemente, a Oficina e a Boião Auto Peças.







* Muitas dessas empresas poderiam continuar contribuindo com emprego, renda e arrecadação de tributos, se a cidade desse condição para isso. E, mesmo que seus fundadores tenham falecidos, os seus herdeiros certamente continuariam no negócio. Apesar de suas empresas estarem instaladas em outros municípíos, alguns cambuquirenses escolheram continuar residindo na cidade, como são os casos de Newtinho Manes e seus irmãos, Aloísio do Prado e Gerson da Gava. Talvez eles ainda sonham nos seus íntimos um desejo oculto de voltar suas empresas às origens.







Repartições Públicas (transferidas da cidade): sede do IBGE (transferida para Três Corações), DER (transferido para Varginha e com essa transferência levou quase 20 famílias de cambuquirenses que foram obrigados a se mudar para aquele município levando consigo parte da renda da cidade), Rede Ferroviária (desativada) principal ligação da cidade com os grandes centros da época por onde circulavam riquezas como o café das cidade de Cambuquira, Campanha, S.Gonçalo do Sapucaí, entre outras.




No caso do IBGE, um dos cambuquirenses que aqui trabalhava é ocupa cargo de destaque na sede desse instituto na cidade de Varginha. Roberto Lemes já foi destaque neste blog, conforme podem confirmar nos textos mais antigos quando citamos o seu trabalho por ocasião do último censo. Já em T.Corações, trabalha outro cambuquirense: José Hermórgenes, responsável pela área onde se inclui nossa cidade. No DER em Varginha esbarramos com cambuquirenses em vários postos desde a administração, fiscalização e operariado, além de um grande número de aposentados do mesmo departamento que hoje residem nessa cidade.







Eventos Esportivos, Comerciais e outros: Olimpíadas de Inverno ( quando a cidade se enchia de atletas de todo o Brasil e até do exterior para a prática dos mais variados esportes como vôlei, basquete, natação, futebol de salão, futebol de areia e futebol propriamente dito); Mês de Portugal ( quando a cidade no mês de Junho recebia inúmeros grupos folclóricos como Almeida Garret, Guerra Junqueira entre outros. Os cambuquirense aprenderam a dançar o “vira” e outras danças típicas da Terra-Mãe), Festa do Ovo (principal evento dirigido para avicultura no Estado de Minas Gerais, que foi impedido de ser realizado por ocasião da “peste suina” que atacou os rebanhos no Brasil e nunca mais voltou a ser realizado), entre outros eventos menores como: encontro de radioamadores, encontro de Rotarianos, Lions, etc. Ainda na área de esportes, Cambuquira teve campeonatos de tênis, cujas quadras atualmente ficam sem uso. Destacaram-se no passado nessa modalidade os cambuquirenses: KTT, João de Brito Pimenta Filho e o jovem conhecido por todos como “Véio”, professor de muita gente mas que faleceu na flor da idade.




Entre as iniciativas importantes que não tiveram êxito por falta de apoio temos o caso do CEA – Centro de Estudos de Astronomia, que objetivava construir na cidade um observatório astronômico, o Centauro, que só aconteceu 20 anos depois, e precariamente, graças ao empenho de um grupo de cambuquirenses conhecido como “Projeto Halley”, pegando carona na passagem do cometa. Este centro de astronomia foi um sonho do judeu-húngaro e dentista Sigmund Szabó, que faleceu sem ver o seu projeto realizado. E, como nesse país pouco valor se dá a cultura o velho Szabó e alguns amigos da cidade, praticamente, lutaram sozinhos. Eu, ainda garoto e outros tantos do bairro quebramos britas para as obras que ficaram abandonadas por quase 20 (vinte) anos, período quando serviu de abrigo a um casal que criava até porcos numa das salas do prédio, sem que prefeitos, vereadores ou qualquer político da cidade se importassem com tamanho desrespeito para com a cultura e para com o sonho do seu idealizador.







Maratona Ciclística do Circuito das Águas (Uma idéia que não passou disso.)




Na fim da década de 70 e início dos anos 80 idealizei o que denominei a “Maratona Ciclística do Circuito das Águas. Apresentei a idéia, inclusive com promessa de patrocínio por parte de uma industria de bicicletas. Seria uma volta completa que passaria por todas as quatro estâncias hidrominerais, com início e término em Cambuquira. Sairia de nossa cidade, passava por Lambari, depois S.Lourenço, Caxambu retornando à Cambuquira. Infelizmente, ninguém se interessou.










Exploração das águas minerais:







Desde o descobrimento das águas nas terras que antes pertenciam ao nossos antepassados Silva Lemes, as águas de Cambuquira ganharam espaço no cenário nacional. Naqueles tempos doentes de vários lugares do país, mesmo sem existir infraestrutura no local, aqui chegavam a procura de cura para os seus males. Barracas eram improvisadas como “hotéis” no campo ainda sem habitações, o que forçou a construção de alguns casebres.




Com a desapropriação da área para preparação daquilo que viria a ser um povoado, acomodações mais confortáveis surgiram, depois um hotel, mais outro, até que a fama e evidente freqüência estimulou a vinda de pessoas de visão, como os Lemos, os Siqueira e outros que investiram muito na construção de prédios que existem até hoje, como o Hotel Elite, Globo, Vitória (Santos Dumont), Silva e Empreza (Trilogia).




O Estado investiu na captação e engarrafamento através de algumas empresas que sucederam uma a uma até chegar nos últimos tempos à Superáguas, que por contrato explorou as águas por muitos anos, para depois fechar as suas empresas em Cambuquira, Caxambu, Lambari e Araxá, com o término do contrato.




O fechamento dessa última empresa provocou um caos na arrecadação de impostos das Estâncias. Cambuquira foi a mais afetada já que a empresa representava quase 90% da arrecadação de ICMS. O problema perdurou por vários anos enquanto durou o impasse na escolha de nova empresa que culminou, depois do cancelamento da última licitação, na escolha de COPASA, empresa de saneamento básico e tratamento de águas do Estado de Minas Gerais.




A nova empresa já fez a reforma das instalações, compra de novos equipamentos e promete remodelar o parque e construir novo balneário, um projeto comentado de mais de 4 milhões de reais. Em discurso na chegada das máquinas falou-se em Cambuquira, a água da copa do mundo de 2014 e das mesas dos Sheiks Árabes(conforme disse o atual prefeito). Promessa de ano eleitoral? Pelo menos, parte não é só promessa já que os equipamentos estão em montagem e nova tubulação já foi implantada entre as fontes e o salão de máquinas. Também, concurso público já foi realizado para contratação de novos funcionários nas mais diversas ocupações que a empresa exige.







A queda vertiginosa do turismo também acabou com vários empregos na cidade: garçons, cozinheiros, copeiros, charreteiros, alugadores de cavalos, afetou o comércio levando à falência ou fechamento bares, restaurantes, lojas, mercados, fábricas de doces, laticínios e outras atividades ligadas ao turismo, entre elas o comércio de artesanato que hoje luta para conseguir um lugar no espaço à duras penas. Diversas casas de turistas foram postas a venda e vendidas para cambuquirenses. Por causa disso tudo , resultado também do descaso pelo patrimônio público, o “Balneário” está há 15(quinze) anos desativado, sendo que agora o governo estadual, através da nova concessionária das águas, promete reformá-lo ou construir no local uma nova sede.




O que espero é que isso não seja mais um sonho antes que eu acorde depois das eleições.







Qual a alternativa e os exemplos que Cambuquira pode seguir?










Para começar, devem se mirar nos exemplos de outras cidades da região que na época antiga, quando Cambuquira já era considera uma das melhores cidades da região (*) e essas cidadezinhas ainda eram apenas vilas onde se amarravam cavalos nas portas das vendinhas e dos botequins enquanto os homens picavam fumo de rolo para fazer seus cigarros de palha e “jogar conversa fora” no verdadeiro estilo caipira.







*(A cidade fervilhava com a presença de turistas, elite carioca na sua maioria, geração de empregos que atraíram diversas famílias para nossa cidade, e qualidade de vida invejada até pelos nossos vizinhos varginhenses que por aqui tinham suas casas de veraneio, como também o faziam muitos cariocas, paulistas e mineiros da capital)







Como exemplo disso, podemos citar várias cidades antes rurais e que se transformaram em referência de progresso nos dias de hoje, graças ao empenho de seus cidadãos:







Santa Rita do Sapucaí, conhecida como o Vale do Silício Brasileiro, Vale da Eletrônica e outros predicados devido a suas escolas e, conseqüentemente, às indústrias que elas atraíram para aquele lugar. Hoje essa cidade não tem população suficiente para os empregos que gera, e abre campo de trabalho para jovens de outros lugares que para lá se dirigem com o intuito de estudar. Destaque na indústria eletrônica de ponta , é o centro de desenvolvimento da TV Digital no Brasil.




Certe vez, sugeri a um prefeito que procurasse uma dessas escolas para propor uma parceria, e quem sabe assim pudéssemos aproveitar as instalações do extinto Colégio S.José para ministrar cursos na área de eletrônica em Cambuquira. A minha sugestão se prendia ao fato de se formarmos cidadãos aqui poderíamos atrair alguma industria para aproveitar essa mão de obra da cidade. Mas, isso não passou de um sonho.




(MONSENHOR PAULO)




Monsenhor Paulo, aqui bem perto temos um exemplo de uma cidade tradicionalmente rural que, mesmo sem ter acesso por estradas asfaltadas, se tornou pólo na industria moveleira e de janelas de metal. Berço de muitos dos nossos avós que deixaram aquele lugar atraídos pelo progresso que Cambuquira tinha no passado a cidade bate em muitas com a geração de empregos e rendas. Conseguiu eleger até um deputado, o ex-prefeito e empresário daquela cidade, o Sr.José Adamo Belato. Só em 1986 a cidade ganhou uma ligação asfáltica com a BR 381, mas mesmo naquela época já arrecadava mais impostos que Cambuquira e Campanha juntas, exportava produtos para Zona Franca de Manaus e era procurada diariamente por casais nas compras do móveis de sua primeira casa.







Conheço bem a sua história daquele tempo, pois para lá fui enviado como chefe da repartição fazendária do município, que num dia um dos nativos daquela cidade me perguntou de onde eu era. Quando eu me identifiquei, tive que ouvir um gracejo irônico: “_Da terra que só tem cavalos? “ (Tive que engolir a seco aquela provocação!...)







Naquela época a cidade ainda tinha charretes e cavalos de aluguel para turistas. Hoje, só resta a “Charrete do Merquinho”, último remanescente das épocas áureas do fervilhante turismo das Estâncias.







Conceição do Rio Verde -Outra cidade que deu a reviravolta e não aceitou a caracterização eterna de cidade-rural,que inclusive foi capaz de atrair uma empresa originalmente cambuquirense, a GAVA (fundada por Gerson, Armando e Valias).







Essa empresa com um plano de expansão devido ao aumento das vendas de vitraux de metal, através do Sr. Gerson Ferreira da Costa planejava construir uma nova unidade fora dos limites urbanos em um terreno cedido por um prefeito. Essa nova sede seria montada no terreno anexo ao Trevo do Marimbeiro. Mas, depois das eleições, o prefeito eleito negou a transferência do patrimônio para aquela empresa. Na mesma ocasião, o prefeito de Conceição do Rio Verde oferecera um amplo terreno terraplenado para que lá fosse construído a nova sede da GAVA.







Mas, a velha Conceição já tinha outras empresas, algumas do ramo de vestuário que empregava inúmeras moças, e até senhoras casadas, exportadoras de pedras de S.Tomé, exportadoras de café entre outras atividades, com ofertas de empregos até para outros “estrangeiros”.







Essa foi a mesma cidade onde um grupo de jovens nos anos 60 ousou fincar uma bandeira de cambuquirense (em plena praça da cidade), simulando a tomada de posse de novas terras, imitando os velhos conquistadores da história devido a extinção da sede da comarca daquela cidade que passou a ser atendida no Fórum de Cambuquira.






Isso provocou a fúria dos locais que fecharam o tempo fazendo com que o bando de arruaceiros tivessem que arrancar a bandeira e correr muito para não levar uma surra.











Eles nem podiam imaginar que aquele “arraial”, como definiam, tomaria o bonde da história rumo ao futuro, enquanto a sua bela cidade já se deitava num sono profundo.





















Ironia do destino ameaça fazer isso com nossa cidade já que projeto do governo, com o intuito de economizar divisas, pretende fechar algumas comarcas, e nossa cidade sofre o perigo de depender da comarca de Campanha ou Três Corações (voltando às origens históricas do município que pertenceu às duas cidades.)































Campanha - “Essa dormiu por mais de 100 anos”. E, até chegou a receber o apelido de “cemitério iluminado”.





















Nossa vizinha e cidade-mãe de onde veio a maioria de nossos avós, por algum fator que desconheço, talvez os mesmos da nossa estância, parou no tempo. Com isso, a exemplo de nossa terra, inúmeros campanhenses partiram para outros lugares em busca de outras alternativas.





















Parte de sua população chegou a acreditar que o progresso de Cambuquira seria a salvação daquela cidade. Pois, por aqui vinha fazer suas compras, aqui adquiriam seus veículos diretamente na Concessionária Volkswagen, ou os caminhões para suas fazendas na Agência da Mercedes-Benz, as compras do mês no Supermercado Servebem, um dos melhores da região, aqui passavam as suas luas de mel, seus passeios dominicais, namoravam e até casavam (prova disso é o grande número de casais formados por pessoas das duas cidades).





















Os que ficaram na cidade, berço da civilização sul mineira, núcleo de cultura e educação, já haviam se conformado com o cheiro do peixe da decadência e estagnação. Aí veio a paulada final: transferiram a sede dos Correios para Varginha que devido a incentivos do governo e tradição comercial e industrial da cidade crescia vertiginosamente, talvez com a ajuda do fracasso e decadência dos vizinhos.











Nesse interin a cidade teve um dos símbolos da cultura mineira destruído por um incêndio ficando mais pobre culturalmente.





















Mas, agora no fim do Século XX e ao iniciar o Século XXI e Terceiro Milênio, a cidade resolveu retomar o rumo da história e do futuro. Hoje já dispõe de uma fabrica de computadores, que emprega até cambuquirenses, entre outras promessas de instalação.





















Por ironia do destino, uma das unidades industriais que hoje contribuem com emprego e renda naquela cidade foi fundada em Cambuquira, por cambuquirenses natos e meus primos. A Metalúrgica 12 de Outubro, sem alternativa e até perseguição com processos judiciais devido a eventuais problemas ambientais fora convidada para transferir sua unidade fabril para aquela cidade. E, lá se tornou, a exemplo da Gava em Conceição do Rio Verde, mais uma geradora de empregos e renda embora, sem que isso sensibilizasse a qualquer político da cidade que nem ousaram oferecer alguma alternativa para conservar a empresa na cidade.


























































(MONTE SIÃO)





















Monte Sião e Jacutinga:Outras cidades do sul de Minas, que não são vizinhas, mas igualmente servem de referência.Estâncias turísticas como Cambuquira mas que não cruzou os braços à espera da “chuva de manás” vinda do céu. Quando o turismo perdia o seu impulso, a população e os políticos desenvolveram projetos para criar alternativas para comunidade até então quase que predominantemente rural. Hoje essas duas cidades são apontadas como pólos da confecção de roupas, malharia, cerâmica entre outros produtos que geram empregos, rendas e tributos para seus municípios. Para os habitantes dessas cidades, falar antigamente em Cambuquira e circuito das águas era se referir a destino de “gente rica”. E, essas cidades nem existiam como cidades, não passavam de pequenas vilas desconhecidas. Hoje são destinos da moda nacional.





















Monte Sião, conforme pude atestar num site da cidade, tem mais de 1500 lojas instaladas numa rua que denominam “shopping center da moda”, sendo que ali só se vende produtos locais e fabricados nas mais de 2.000 unidades fabris, algumas montadas nas salas das casas, da própria cidade.





















Ao passar pelas ruas dessas cidades, quando estive por lá, não vi ninguém esmolando pelas ruas, jovens nos botequins enchendo a cara de cerveja ou vândalos destruindo patrimônio público, mas o “barulho” dos teares e das máquinas de costura, muitos dos quais manipulados ou comandados por homens de todas as idades.





















Juruáia – um lugar perdido entre as montanhas que divide o sul e o sudoeste mineiro.





















Recentemente quando exercia o cargo de Chefia de uma administração fazendária na divisa com S.Paulo, pude conhecer outros lugares que servem como exemplo de cidades que não se resignaram com um destino e procuraram o trilho do futuro. Uma dessas cidades é a pequena Juruáia, hoje considerada a “capital mineira da lingerie”.


Se procurarmos na internet informações sobre essa cidade e seus produtos, verá que aquilo que é produzido nesse lugar já está até no exterior. Sem o preconceito bobo e machista de outros lugares, ali até os machões pegam nas agulhas e nas máquinas da linha de produção. Dessa forma garantem a renda das famílias, conforto, lazer e recursos para estudarem seus filhos, sem ter que se mudar para outros centros mais caros e até perigosos do país.




















(











Andradas - Uma cidade, um pouco mais distante, que hoje como Cambuquira faz parte do circuito internacional de vôo livre, também é uma cidade, antes um pedaço de chão perdido entre Minas e S.Paulo, dependente economicamente de Poços de Caldas, como nossa cidade se tornou com relação a Três Corações, hoje um dos principais produtores de vinho, cerâmica sanitária e móveis do país. Alguns dizem que o impulso que elevou a pequena vila numa cidade de destaque até no esporte, através do Rio Branco Futebol Clube, deve-se a colonização italiana. Mas, isso também tivemos em Cambuquira, embora em menor número. A essência é que, mesmo não tendo os predicados naturais que nossa cidade tem desde o seu nascimento, o seu povo teve a força e os seus políticos sempre trabalharam pelo progresso da cidade. A não dependência do turismo, que hoje também é mais uma fonte de rendas, também foi fator determinante.





















Poços de Caldas – A cidade mais turística, mais comercial e, até bem pouco tempo, a mais industrial do Sul de Minas, é um exemplo que todas essas atividade podem muito bem conviver juntas e com bons resultados para o município e sua comunidade.











Essa estância hidromineral, que na realidade nem dispõe de águas como as do Circuito das Águas (Cambuquira, Caxambu, Lambari e S.Lourenço) soube contornar a crise turística com as demais fontes de renda, como a industria. Lá estão instaladas indústrias de grande importância como Alcoa, Danone, Votorantin, CBA, Frigonossa, Rhodia, Ferrero Roche, etc.











Isso por si só derruba a velha tese dos coronéis políticos da cidade de que defendiam a “castidade da cidade” sem as impurezas que industrias poderiam trazer. Mas, atrás desse princípio existia algo muito mais original, a preservação da mão de obra barata para os hoteleiros e fazendeiros locais. A desculpa da poluição e de outros males do progresso não passava de “mera desculpa para boi dormir”. E, os cambuquirenses se confirmaram com essa e dormiram por vários anos com essa idéia implantada nas suas mentes.





















E, as outras Estâncias?





















(LAMBARI)





















Caxambu e São Lourenço, exceto Lambari que está em situação semelhante, embora um pouco melhor, conseguiram criar mecanismos para garantir parte do fluxo turístico passado aliado a outras atividades comerciais além de investimentos na área da educação (faculdades de Direito, Administração, etc), graças ao empenho de seus políticos que apesar de torcerem também pela volta dos cassinos, não cruzaram os braços esperando o tempo passar.











Mas nossas estâncias têm muito a aprender. Ainda não descobriram que juntas podem mudar esse destino que as legou à estagnação e decadência. Os projetos isolados de cada uma teriam mais efeitos se fosse um pacote. Cambuquira e Lambari, as mais prejudicadas com a mudança de rota dos turista, necessitam ainda mais de um projeto conjunto que tenha o objetivo de restaurar um pouco da importância turística da região.











Para começar, com o auxílio do Governo do Estado, essas quatro estâncias poderiam promover a divulgação de suas águas medicinais e atrativos turísticos no Brasil e no exterior. Para começar, poderiam criar uma página conjunta na internet, algo que não é caro e de penetração mundial, desde que contenha informações nas principais línguas (Inglês, Francês, Alemão,etc).











Alguns prefeitos parecem que desconhecem o que é essa rede global.































Por que Cambuquira perdeu o bonde da historia e do progresso?





















Essa pergunta bem que poderia fazer parte de uma tese de mestrado das faculdades de economia onde algum estudioso da área consiga explicar mais, e além do aqui posso explanar. E, no seu trabalho e nos possa fazer entender como um lugar tão maravilhoso tenha chegado ao atual estágio.











Um lugar belo por natureza, clima favorável, fácil acesso, águas premiadas como as melhores do mundo, gente hospitaleira, existência de vários hotéis, além do nome conhecido por grande maioria da população brasileira, são predicados que qualquer cidadão quer para suas cidades.











Para mim, a culpa foi da posturas dos empresários aliados aos políticos locais do passado.











Achavam que tudo aquilo bastava e que aquela fonte nunca secaria, já que nos áureos tempos de hotéis cheios. Com a jogatina nos cassinos da cidade, o dinheiro corria solto. Pessoas enriqueciam, muitas vezes às custas da desgraça de outros que perdiam tudo numa noite de “poker” ou nas roletas tentadoras , como nos informam os mais velhos.











Na cidade não faltava empregos. Todos ganhavam um pouquinho. Era desde o engraxate, passando pelas lavadeiras de roupas, charreteiros, barbeiros, manicures, cabeleireiros, alugadores de cavalos, doceiras,cozinheiros, babás,entre outras atividades de prestação de serviço. Também florescia a construção civil nas construções de prédios que a tornaram diferente dos vizinhos. Para se comprovar o último item citado é só comparar a paisagem desta e de outras cidades naquela data.











A cidade crescia bonita e suntuosa ,e por isso atraiu várias pessoas de fora como eu mesmo pude atestar nos inventários que falei como representante da Fazenda Pública Estadual .











Para Cambuquira vieram famílias de diversos locais da região e até de lugares mais distantes. Meu avô materno, Estêvão Horácio do Prado, por exemplo, vivia num lugar chamado Servo, hoje pertencente a Monsenhor Paulo e sua esposa, minha avó Maria do Carmo Rezende do Prado, no Xicão, município de S.Gonçalo do Sapucaí, de onde também vieram os Azevedo, os Lemos, os Siqueira e os Paiva, entre outros. De Bonsucesso, um pouco mais longe, vieram os “Souza Nunes”.E, uma multidão de campanhenses, tricordianos e até varginhenses, além de migrantes de Conceição do Rio Verde e outros diversos lugares, Natércia ( naquele tempo chamada Santa Catarina), Pedralva, São Tomé das Letras, e outras inúmeras cidades. Todos aqueles “migrantes” foram atraídos pelas oportunidades que o turismo proporcionava a todos.











Para que industria? Isso ia tirar a mão de obra sempre disponível para os hoteleiros e fazendeiros da cidade!





















Como começou o processo de decadência?





















Começou, provavelmente, com essa política instalada na cidade de proteção dos hoteleiros e fazendeiros do município. E, se qualquer empresário ousasse pensar em se instalar na cidade era desencorajado sutilmente. Não ofereciam nada, não estimulavam nada e não davam nenhum incentivo. Tudo em nome da ‘preservação da qualidade de vida e do clima”, fatores essenciais para o turismo. Assim as portas eram fechadas.Mas, o real sentido dessa política podia ser mesmo a proteção dos empresários locais, que também eram políticos atuantes ou financiadores de candidatos. Queriam a “massa de operários” sempre à disposição dos hotéis nas temporadas, ou à disposição dos fazendeiros nas safras. Desta forma, pagavam os salários que julgassem valer o trabalho, sem que o trabalhador tivesse qualquer garantia, estabilidade ou direitos. Por outro lado, como o turismo era freqüente, existiam as gorjetas e outras vantagens, o que transmitia aos trabalhadores a idéia de normalidade e de vantagem. E, alguns até podem ter assimilado a idéia que uma fábrica traria poluição para cidade destruindo a maior fonte de renda que tinham que eram os veranistas.











Aliado ao pouco costume de consumismo daqueles tempos, pouco era necessário para se viver. E, sem os anseios de hoje quando todos querem progredir, instalou-se o comodismo entre os mais pobres e o “statuo quo” favorável aos mais abastados.











Alguns trabalhadores da época só conseguiram se aposentar através de uma ação judicial, pois nem direitos trabalhistas lhes eram garantidos.











Minha avó, lá pelos seus 70 anos conseguiu receber da prefeitura uma pensão do seu marido que faleceu devido a um mal adquirido na instalação da rede de água e esgoto da cidade. Ele fora soterrado vivo. Resgatado, nunca mais teve sua saúde perfeita vindo a falecer precocemente deixando viúva e filhos menores. Por aí se vê que nem o “poder público” respeitava os direitos e a dignidade dos seus servidores.











As empresas que não vieram para cá se instalarem em outros lugares. O turista mudou o seu comportamento com o surgimento de novas opções, e a freqüência nas Estâncias Hidrominerais progressivamente até chegar ao estágio de nossos tempos.











Ainda me lembro de uma industria de máquinas de escrever que colocou uma faixa na rua da Estação indicando que naquele local seria instalada uma unidade fabril. De um dia para o outro, talvez por falta de apoio, tiraram a faixa e lá se foram não sei para onde. Eu, muito jovem estava cursava as séries do ginásio, mas já começava a entender a pouca vontade dos administradores em atrair investimentos.











Esses mesmos políticos cruzaram os braços a espera dos “cassinos”, o que nunca mais aconteceu., um evento capaz de tirar as estâncias do buraco em que se encontravam. Deputados tentaram com diversos projetos retirar o “defunto da cova”, mas combatidos pela igreja e outros segmentos da sociedade, ficaram só na lembrança. Os antigos “crupiês” morreram, as roletas desapareceram e a cidade continuou descendo ladeira à baixo rumo a decadência e estagnação





















Para se ter uma idéia, um prefeito ainda tinha em mente construir um hipódromo num terreno público (pleiteado para construção de casas populares do “Projeto Pró-Mutirão” e negado por ele), certo que a jogatina voltaria breve.





















Já nos anos 80, um deputado famoso das Minas Gerais, Murilo Badaró ainda lançou o projeto de criar um grande lago na região entre o trevo de S.Domingos e a divisa de Lambari. No entorno desse grande reservatório faria a instalação de um parque temático capaz de atrair turistas para Cambuquira e Lambari, o que foi considerado como uma transfusão de sangue para as duas cidades.Mas, o projeto, como a “volta da jogatina” não saiu do papel sendo engavetado pelo governador da época.



















A minha história com a cidade:





















Com a cidade a fechar as portas aos investidores, a diminuição do turismo, a queda nas rendas provocou o êxodo de grande parte de sua população para outros lugares. Hoje um número considerável de cambuquirenses e descendentes residem fora, alguns dos quais já nem têm laços comuns com sua terra natal. São José dos Campos, no Vale do Paraíba Paulista, é um dos lugares que mais recebeu migrantes oriundos de Cambuquira, ao lado de S.Paulo, Campinas e outras cidades do Estado de São Paulo. Na região, outro tanto de conterrâneos se mudaram para Varginha, T.Corações, Pouso Alegre, Itajubá entre outros.











Varginha, por exemplo, com a centralização da administração do DER –Departamento de Estradas e Rodagens de Minas Gerais, recebeu mais de vinte famílias, que nunca mais voltaram.











Eu mesmo,que fiquei nesse vai-e-vem, já residi em S.Paulo para onde fui provocando lágrimas em minha mãe por quase onze anos. Depois tentei voltar e me instalar com um pequeno negócio que não deu certo, e nova volta para capital paulista. E, mais tarde como servidor da Fazenda Estadual consegui ir para Varginha, depois Três Corações, Monsenhor Paulo, Cambuquira, Monte Santo de Minas......











Aluno de destaque entre o grupo, desiludido por não poder continuar os estudos pela falta de recursos, não tinha mais o que fazer na cidade, enquanto os colegas de pais mais abastados comentavam seus projetos de fazer esse ou aquele curso, eu não podia ter projetos. E, esse deve ser o sentimento de muitos jovens de hoje, que nem têm mais o “Cine Elite” como nós tínhamos no passado para se divertir um pouco.






























Um projeto (sonho de louco) para Cambuquira.





















Depois desses anos de ausência, já como servidor público da Fazenda Estadual, após ter residido em S.Paulo, e até tentado voltar e assistindo as mudanças que se processavam nas vilas à beira das estradas, não pude ficar alheio ao processo de estagnação para a qual a cidade caminhava.Então fiquei a pensar o que eu poderia fazer para estancar esse processo?











Num dia quando fui a passeio ao alto da Serra do Piripau avistei uma grande área quase plana no Triângulo de S.Domingos. Como aquela área era cortada pela BR 267 e pela rodovia que a liga a Lambari, imaginei um Distrito Industrial capaz não só de tirar nossa cidade do marasmo em que se encontrava como também ajudar diretamente mais três cidades vizinhas: Lambari, Conceição e Campanha com a criação de empregos.











O que apelidei de DI-São Domingos, seria a salvação para nossa cidade, que ficaria com o bolo da arrecadação direta e indireta de impostos, alimento básico de qualquer administração pública.











Fotografei a área. Fiz um “croquis”. Juntei tudo e datilografei uma carta sugerindo ao INDI-MG a instalação desse projeto na área citada. Argumentei que aquilo iria beneficiar toda região, e também o Estado com a geração de receita.











Defendi a tese da geração de empregos e ainda a localização que não afetaria de maneira alguma os atributos da Estância que todos sistematicamente argumentavam como impecilho para instalação de indústrias. Argumentei também sobre a existência de grande volume de água que nasce na região e, além de tudo, a topografia favorável onde nunca aconteceu enchentes como acontecia em outras cidades como Itajubá, Pouso Alegre e até Santa Rita do Sapucaí que já naqueles tempos sofriam com as chuvas de verão.











Essa seria a salvação de todos e a criação de uma forte fonte de rendas e receita, que poderiam ser aplicados em atração de mais investimentos, melhora do turismo, implantação de escolas profissionalizantes direcionadas para suas unidades fabris, melhora na segurança, na assistência médica e no padrão de vida.











Infelizmente, a minha idéia não teve o respaldo necessário por parte do poder público estadual, e nem foi ouvido pelo municipal. Existia um pensamento nos políticos, como até hoje, de que quem vem com alguma coisa nova idéia para cidade, com certeza deve ter algum cunho político.





















Não acreditavam e não acreditam que existem pessoas não pensam como eles.





















O Projeto “Distrito Industrial de São Domingos” usado por terceiros para fins políticos:





















Para piorar, os "telegramas-resposta" referente ao projeto do DI, e que tinham o meu nome, acabaram sendo usadas, sem o meu consentimento, em campanha a favor de um candidato e contra um outro que já teria sido prefeito.











Uma panfletagem com cópias das resposta (com o meu nome) foi feita pelas ruas da cidade às vésperas da eleição. Eu mesmo fui pego de surpresa quando peguei um papel jogado na rua e me deparei com resposta de um órgão estatal a mim dirigido.











Como eu tinha usado uma associação de bairros como argumento para valorizar a idéia, esses documentos particularmente não me pertenciam.











E, o ex-prefeito ganhou as eleições.











Passado algum tempo, já no cargo o então prefeito eleito me viu na estação rodoviária quando já subia as escadas do ônibus rumo à Extrema onde eu prestava serviços em substituição a um colega. E, sem perder tempo, ainda cheio de ráiva , falando mais alto do que o necessário, dirigiu-se a mim aos brados e com o dedo indicador a me apontar:











“__”que era aquilo de jogar o seu nome na sarjeta?!... (É só o que me lembro entre tantas outras tantas palavras a mim dirigidas.)











Naquele momento não tive como responder, pois já entrava no ônibus quando o motorista ao notar os ânimos exaltados daquele senhor, solicitou que eu entrasse rápido e partiu.











Inconformado, o prefeito ainda me acompanhou incisivamente o seu dedo indicador em riste até que eu me sentasse no banco com o veículo em movimento.











Ao chegar ao meu destino, num momento de mais tranqüilidade preparei uma carta de várias páginas onde detalhei a minha defesa, minhas idéias e meu protesto. Tirei cópias dos documentos sobre o projeto que eu possuía e carregava comigo depois das eleições prevendo o que poderia acontecer.Juntei tudo e enviei para o tal prefeito.











Não sei se aceitou realmente minhas argumentações, mas em resposta verbal, através de meu irmão e servidor municipal, mandou dizer que “não estava com ráiva de mim” e que me convidava para tomar uma cerveja com ele”. Não o procurei para o tal encontro já que não gosto muito dessa bebida.











A ira justificada do prefeito foi que em uma das respostas do INDI, diziam que aquele lugar apontado por mim já teria sido objeto de estudos para a implantação de um distrito industrial na cidade, e que o prefeito da época não havia se interessado





















Como em “politicagem”tudo é possível, talvez nem tenha havido estudo nenhum e a resposta tinha mesmo uma arma suja. E, entre políticos isso não seria novidade.





















Essa foi a primeira “lambada” por ousar sonhar e idealizar algo para melhorar a minha cidade.





















Obras necessárias e urgentes na cidade:





















A comunidade parece não ter percebido completamente que a cidade não é a mesma dos gloriosos tempos da Cambuquira antiga. Tentam preservar uma imagem que nem tem mais para aqueles que a visitavam, ou que passam pela Estância, nos últimos tempos. Temem que a cidade perca a sua imagem de lugar saudável, de bom clima, gente hospitaleira e turismo efervescente. Esquecem-se que essa é a imagem do passado que já não faz parte da nossa história atual. Então, pouco as críticas, censuram as palavras e os textos com medo de uma conseqüência que não devem ser temidas.Pois, estas são realidades hoje. Pergunte aos lojistas da cidade, aos proprietários de supermercados, aos profissionais liberais entre outros: “__de quem vem o dinheiro das suas vendas”? A resposta, certamente, será que o turismo contribui muito pouco para suas receitas. O próprio parque das águas tem a sua freqüência maior formada de cambuquirenses e de visitantes das cidades vizinhas que só vão aquele lugar para apanhar água mineral ao valor de trinta centavos por cada dois litros, enquanto as lojinhas lá existente vivem às moscas. Então, qual o medo de perder o quê? Acorda cidade, já perderam tudo. E. agora devem se unir, aceitar as críticas e procurar os caminhos alternativos que possam recuperar pelo menos parte dos seus valores para ganhar espaço no ramo de turismo, mas sem ficar à mercê dessa atividade, pois a cidade necessita de outros meios para sobreviver. “Quem tem apenas um pássaro na mão, contrariando a velha máxima, acaba ficando sem nenhum.”





















Pontos Turísticos:




















Se a cidade pretende continuar sendo uma estação turística deve recuperar, ou conservar melhor, os seus atrativos turísticos. Entre eles, a rampa do Piripau, de onde saltam os turistas em vôos-livres, o Observatório Centauro, obra que nunca foi levada a sério pelos governantes mesmo sendo este o único centro de Astronomia da região, as diversas cachoeiras localizadas nas zonas rurais que deveriam ser declaradas patrimônio turístico do município, a Fonte do Marimbeiro com aproveitamento da área anexa de propriedade do Estado para que esta não sofra o processo mesmo esbulho acontecido na Figueira.











Outros bens, como a Mata do Parque quase destruída por posseiro, outrora cheia de veredas limpas, hoje abandonadas e servindo para outros fins por pessoas desocupadas, os velhos engenhos, herança dos nossos antepassados, dos quais apenas um sobrevive funcionando até hoje, o Engenho dos Borges, o caminho de Santa Quitéria, a estrada da linha onde muitos turistas e cambuquirenses praticam o “cooper” devem ter melhor atenção.





















O Observatório Centauro, em especial, hoje em estado de semi-abandono e sem atividades deve receber melhor atenção por parte do poder público e da comunidade.











Por ser um patrimônio cultural, sonho do judeu húngaro Sigmund Szabó, não poderia continuar trancado e sem atividades. Por outro lado, já que o local hoje não é tão bom para observação devido às luzes do bairro, não estaria na hora da prefeitura investir na construção de novo observatório, quem sabe na Serra do Piripau, se a lei ambiental o permitir. Com relação ao prédio da Rua Padre Anchieta, este poderia ser transformado em um local de encontros tanto do gênero, ou num centro de atividades culturais diversas.











Cambuquira é a única cidade da região que têm um patrimônio deste, onde inclusive já se reuniram vários estudiosos de Astronomia do país, tais como Nelson Travinik, Jean Nicolini entre outros, todos ligados ao Observatório do Capricórnio de Campinas.






























Vias públicas





















Ações básicas podem, com pouco ou quase nenhum recurso, fazer efeito. Por exemplo: o calçamento da cidade em alguns lugares deixa a desejar, pois apresenta altos e baixos oriundos de escavações para instalação de rede de água ou esgoto, afundamento devido a porosidade do solo com a passagem de caminhões pesados e falta de um serviço eficiente de conservação durante vários anos.




















A primeira via que necessita de uma reforma para deixar o piso mais uniforme é a avenida que liga a entrada via rodoviária até o parque das águas. Quem vai de carro e sai do asfalto se assusta com tanta trepidação que aquele calçamento provoca no carro. Outra via que necessita de prioridades é a via formada pela Benjamim Constant seguida pela João Silva. Como alternativa de tráfego durante o período de colocação do recente asfalto entre a Rodoviária e a Rua da Estação, essa rua sofreu afundamentos diversos que denigrem a imagem de nossa bela Estância.











A av. João de Brito Pimenta do Posto de Gasolina até à Av. Julio Lemos também necessita de reparos, como parte da Avenida NS Aparecida. Algumas vias não sofreram muito a ação do tempo, mas mesmo assim necessitam de alguns retoques para que não se tornem como as demais por falta de manutenção.





















Limpeza pública:





















A maior crítica dos turistas e de cambuquirenses que visitaram a cidade nos últimos anos foi o estado das ruas da cidade. Além disso, alguns moradores, talvez por falta de opção, como as caçambas metálicas usadas para coleta de entulhos em algumas cidades, jogam lixos e detritos de construções nas vias públicas. Se o poder público não age com o rigor da lei esse costume não acabará. Conseqüentemente, os recursos que poderiam ser usados em outras aplicações, acabam sendo desviados para limpeza pública.











Não contentes com a situação do Jardim Silvio Marinho,certa vez, turistas e estudiosos do Hotel Trilogia fizeram uma limpeza geral desse lugar, o que particularmente considero o fato como um protesto silencioso do grupo contra o descaso das autoridades públicas na época daquele evento.











Antigamente o local tinha um zelador, o Sr. Liz, que dizem ter sido portador de um “bodoque” com o qual espantava qualquer vândalo, ou garoto ousasse danificar os jardins. Outro, o Sr. Guarino Sabião, só com o olhar já punha respeito. O jardim era muito bonito e até foi usado para cenas de filmes rodados por um tricordiano.











Para evitar atos como esse, o município deveria manter no local um funcionário (sem botoque! É claro) responsável pela limpeza do local como existia antes. A beleza do local, aliás não só desta praça, é essencial para o turismo da cidade.











Será que um jardineiro seria muito para o poder público? Não poderia a iniciativa privada (hotéis e comércio) se tornarem parceiros a exemplo de outros lugares do país?











E, no caso dos entulhos? Seria muito difícil a instalação do serviço de caçambas, além da aplicação de uma lei mais dura contra os infratores que acham que a rua é a lixeira do mundo?











Para se ter uma idéia do desprezo pelas praças públicas nos últimos anos, e não só nessa gestão, os próprios turistas do Hotel Trilogia (antigo Empreza) promoveram certa vez um mutirão de limpeza do jardim municipal localizado enfrente do prédio.





















Atividades esportivas para jovens e adultos da cidade:





















É mais que provado que o esporte, seja qual for a sua modalidade, é uma arma contra os males que rodam jovens quando ociosos.











Estima-se que no Brasil haja hoje 400.000 (quatrocentos mil) jovens alcoólatras( ou alcoólicos como querem outros) entre 14 e 17 anos. Parte deles adquiriu o vício dentro da família, mas a maior parte nas baladas, na falta de opção de lazer. E, para não se sentir um “ET” dentro do seu grupo cada vez mais adolescentes entram nesse caminho muitas vezes sem volta, porta de entrada para prostituição, gravidez precoce e vítimas fáceis dos narcotraficantes.











Nos Estados Unidos há quadras de basquetebol no bairros mais carentes onde os jovens desses lugares praticam o esporte em vez de se enveredar no consumo de bebidas e de drogas, flagelos da humanidade. Essa idéia tem sido copiada por muitas cidades brasileiras com o mesmo objetivo.











Cambuquira entrou na contra-mão dessa história. Na cidade não existe incentivo ao esporte. O “estádio”destruído pelo prefeito anterior para a construção de uma avenida que hoje até tem servido para escoamento do trânsito, mas que não tinha urgência e nem precisava ser daquela maneira, praticamente acabou com o futebol na cidade, restando a isolada luta solitária de Sebastião Ximenes, o nosso Tião Tatu, no pequeno campo construído pela COMIG (Codemig) no alto da Figueira. Assim, jovens que poderiam se divertir jogando futebol se tornaram vítimas do ócio, caminho para bebedeira e outro males. O retrato disso está estampado na Rua Direita nos fins de semana, jovens com garrafas de bebidas puras ou misturadas com coca-cola.E, depois de uma bebedeira, tudo acontece. Aí aumenta o número de adolescentes grávidas, mães solteiras que nem estão completamente formadas com filhos no colo sem ter condições de criar dignamente seus rebentos. Aí isso se torna um círculo vicioso que deve ser interrompido com as ações certas: ocupação, estudo e lazer.











As recentes intervenções policiais com envolvimento de jovens mostra que a urgência deve ser urgentíssima.Aqui vale a máxima “antes prevenir do que remediar”.




















É preciso entender que muito mais que as baladas, carnavais e festas, esses jovens precisam de ocupação sadia e formação para enfrentar a dura luta por um lugar no mercado de trabalho cada dia mais competitivo, caso contrário essa será uma geração perdida. Conseqüências desastrosas virão não só para eles, mas para toda comunidade. Os grandes centros têm experimentado isso quando nem os alarmes, as cercas elétricas ou sistemas apurados de vigia eletrônica tem conseguido barrar.









































Formação educacional e técnica de mão de obra para o futuro




















Como Cambuquira dispõe de lugar para instalação de uma unidade educacional, o Colégio S.José, antes usado como sede da prefeitura, por que não procurar interessados em instalar lá algum curso de nível técnico (preferencialmente) capaz de formar pessoas e, com esse corpo de profissionais atrair pequenas industrias para cidade? Ou, a própria municipalidade montar algo semelhante? Existe um grande número de professores e profissionais aposentados que angustiados de terem que continuar vivendo nos grandes centros?











Quem sabe não poderiam aí aplicar uma boa e eficaz idéia em prática em Goiás onde um prefeito ofereceu lotes em regime de comodato para aposentados de determinada renda para que estes se mudassem para lá?





















Por que dar prioridades para a formação técnica?


















Hoje o volume de formandos lançados no mercado, muitos oriundos de faculdades de qualidade duvidosa, não conseguem mercado de trabalho. Muitos bacharéis de Direito, por exemplo, nem passam nos exames da OAB e portanto não conseguem ter obter a credencial que os autorizam usar o título de advogado, título necessário para se militar ambiente forense.











Até dentistas a região tem demais. Então, a formação técnica, principalmente na área de eletroeletrônica, informática, agronomia e outras áreas tecnológicas tem sido melhor para o ingresso desses formando no mercado de trabalho.











Assim, Cambuquira tem que partir para a formação de profissionais e com isso atrair investimentos capaz de dar empregos, rendas e arrecadação de tributos para nossa cidade.











Para aqueles que não têm aptidão para o estudo, por limitações da idade entre outros motivos, a cidade deve instalar escolas de formação profissional dirigidas para outras áreas como o de confecções, que a exemplo das cidades citadas acima que conseguiram acabar com o desemprego naquelas cidades, aumentar a renda e receita de tributos.


















A população não pode se acostumar com a decadência e a estagnação como o peixeiro acostuma com a mau cheiro da peixaria, e achar que tudo isso é normal, cruzar os braços e esperar só a “vontade de Deus, pois Ele não nos fez para sermos passivos.”.