quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

JORNAIS DE CAMBUQUIRA

Desde o surgimento da vila que se tornaria um dia a cidade de Cambuquira, tentou-se dotar o lugar de uma imprensa escrita.
Como conta Dr. Manoel Brandão em sua valiosa obra sobre nossa cidade, em 1907, tal de Francisco da Veiga Ferreira Lopes (campanhense) lançou o “Águas de Cambuquira”, imprenso na gráfica do Monitor Sul Mineiro, e dedicado, principalmente à propaganda da estância, suas águas e seu clima. Mas, a falta de assinantes, ou de interesse da população local a idéia não vingou, vindo fechar com grande prejuízo ao proprietário.
Em 1910, em 27 de janeiro, surgiu um novo semanário denominado “A gazeta de Cambuquira” dirigida pelo Sr. Antônio Ferreira de Vasconcellos que pelo espírito combativo não seguiu as mesmas linhas do seu antecessor, tornando-se um órgão combativo e crítico da política e dos políticos locais.
Naquele tempo, muito mais que hoje, entrar nesse terreno é pisar em campo minado. E, parodiando as palavras do Dr. Manoel, “o jornal morreu, não de morte natural, (dizem), mas de morte violenta, de tal sorte que, como no histórico caso de Castro Malta, a polícia teve de intervir a procurar-lhe o cadáver desaparecido em uma fria noite de 31 de maio de 1911”. (Estilo à la Barão de Araruna da novela "Sinha Moça").
Depois teve “O Jacaré” com o intuito de cuidar dos interesses locais e tecer alguma crítica, que deve ter sido mais branda devido ao triste fim do seu antecessor. Parece que este não passou de alguns números.
Em 16 de março de 1913, sob a direção do Dr.Antônio Martins de Andrade, surgiu o jornal “Sul de Minas” que na realidade quase não falava de outros lugares a não ser de nossa própria cidade, e principalmente do mesmo campo minado em que tocou a Gazeta de Vasconcellos. Aliás, se ele escapara do triste fim daquele jornal desta vez não escapou do outro. Esse redator teria atentado contra a própria vida. (Será?) e não morreu apesar de uma bala ter atravessado o conduto auditivo se alojando na base do crânio, determinando uma “hemiplegia”,
Com isso a edição desse novo jornal foi suspensa.
Depois disso a cidade teve o “Grêmio Cambuquirense” e seu “A notícia” (oito de julho de 1915), que acabou com o 5º número.
Em dois de abril de 1916, João Toledo, apesar do fracasso de todos os outros periódicos, lançou “O CAMBUQUIRA”. Esse jornal foi um sucesso. Chegou a ser imprenso, depois de edições feitas pelo Monitor, em uma gráfica própria.
O jornal durou alguns anos, tendo sido vendido ao Dr. Thomé Brandão. Lá foi revelado para o povo os dotes de MARIO DE AZEVEDO, jovem e brilhante jornalista que o assumiu em 1920 como redator chefe, que o comandou por vários anos, quando em 1930 o jornal passava à direção de Dr.Manoel Brandão.
Nessa época, Mário Azevedo, provavelmente já enfermo partira para São Paulo e internado em um sanatório, mais tarde veio falecer em 27 de julho de 1935.
O jornal foi um dos que mais durou em nossa cidade, 17 anos e sete meses e praticamente morreu com Mário de Azevedo.

Um outro fato ligado à existência desse jornal, “O CAMBUQUIRA”, foi que após a venda feita a Thomé Brandão, João Toledo (pai do João Toledo Filho ex-dono da Banca de jornais), teria ido para também para São Paulo, voltando mais tarde para montar um jornal na cidade vizinha de Três Corações onde fora covardemente assassinado na porta da Igreja Matriz daquela cidade. Talvez, o diretor do nosso famoso jornal “tenha pisado nos calos“ de algum político local...

Paralelamente, e mesmo depois do jornal criado por Toledo, existiram outros como o “Shoot”, ”Verruma”, ”Metralha”, “O Regenerador”, ”O Progresso”, ”Infância Patriótica”, ”A voz da Cidade”. “A folha de Cambuquira”, “A fonte”, “A Estância”, etc.
“O Encontro” foi o último jornal editado na cidade ainda em atividade.

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