APRESENTAÇÃOOs projetos de memória propiciam aos alunos a oportunidade de construir uma percepção sobre o passado e o presente a partir das narrativas de pessoas que viveram esses tempos. Por meio deles, os alunos podem perceber que a História não é uma narrativa fria acerca de algumas pessoas importantes e fatos políticos e econômicos, mas um conjunto de narrativas articuladas e que podem ser compreendidas a partir de sua riqueza e de sua diversidade. Isto possibilita que criem vínculos com as pessoas e com as histórias narradas e ainda se sintam parte da comunidade cujas histórias são acolhidas pela escola, valorizadas e preservadas.
Este projeto é inspirado em outro semelhante feito pelo Museu da Pessoa, e visa, num primeiro momento, fazer o levantamento das famílias em Cambuquira, suas histórias e suas origens, através de pesquisa com os familiares e outros membros da cidade. Junto a essas narrativas, depoimentos escritos, fotos, documentos seriam agregados somando valor documental à memória oral que levantaríamos.
Parque antigo (foto)
A intenção inicial é que esse trabalho tenha desdobramentos, em uma segunda etapa, com o levantamento de documentos e relatos em livros, além de aprofundamento das entrevistas, de forma a darmos prosseguimento às árvores genealógicas, remontando os primórdios de Cambuquira, e sua trajetórias no tempo através não dos eventos em si, mas das pessoas que viveram nesta cidade.O período estimado de duração da primeira etapa do projeto seria de aproximadamente 12 meses, tendo seu ápice no aniversário da cidade em maio de 2009, onde esse projeto seria apresentado à comunidade, através de relatórios, painéis, exposição fotográfica e de documentos, etc. A segunda etapa se iniciaria a partir desse ponto, a ser cumprida nos anos seguintes, com relatórios gerados regularmente, seja ao fim de cada ano ou em cada aniversário da cidade, de forma que os participantes pudessem constantemente estar em contato com o produto (semi) final de suas pesquisas, estimulando-os para prosseguirem nas buscas pela história individual de sua cidade.
METODOLOGIA
O projeto seria desenvolvido de forma diferenciada nas diferentes séries da Escola Centro Educacional Aquarelinha, a saber:
Na pré-escola
As crianças levariam para casa um pequeno questionário a ser preenchido pelos pais, com espaço para nomes (e datas) de pais e avós, e uma história narrada por cada um deles sobre suas infâncias e suas brincadeiras favoritas. Se possível, agregariam a este material, fotos. Complementarmente, pedir-se-á que se explique no questionário a origem do prenome de cada criança.
Em sala a professora trabalharia tanto a origem dos nomes (eventualmente em homenagem a parentes mais velhos) como as brincadeiras preferidas de pais e avós, fazendo correlação com as brincadeiras das crianças de hoje.
O material entregue, após trabalhado em sala, seria usado na compilação final.
Nas séries iniciais do Ensino Fundamental (FI a 4a)
Nas séries iniciais do Ensino Fundamental, o trabalho com a memória pode ser uma oportunidade interessante para o trabalho com diferentes tipos de texto e também com os conceitos da área de Estudos Sociais como história do bairro e da cidade, mudanças e permanências.
Em termos práticos, as crianças levariam uma versão um pouco ampliada do questionário da pré-escola, com os mesmos pedidos (narrativas, fotos, documentos).
Em adição, deverão compor um pequeno texto, condizente seu nível de conhecimento (no caso do FI, pode ser feito com auxílio, através de narrativa da criança e transcrição da professora) com o tema “Eu me lembro” onde deverão narrar, e posteriormente ilustrar, um episódio marcante de suas vidas.
A professora poderá trabalhar em sala com os resultados desse trabalho nas disciplinas de Português, História, Cidadania, e eventualmente outras, de acordo com a natureza dos relatos que as crianças trouxerem de casa.
O resultado, após trabalhado em sala, será usado na compilação.
No segundo ciclo do Ensino Fundamental e no Ensino Médio
No segundo ciclo do Ensino Fundamental e no Ensino Médio o trabalho com a memória pode se articular às diferentes áreas do conhecimento como História, Ciências e Língua e ainda se configurar como uma interessante proposta de trabalho interdisciplinar nas áreas de Ética e de Cidadania. Os relatos podem trazer, por meio da experiência vivida, uma percepção mais humana dos fatos históricos, como a Guerra e as mudanças na cidade, e ainda a compreensão dos modos de vida de ontem e de hoje. Vários projetos com adolescentes têm propiciado aos jovens aprofundar os conhecimentos e os vínculos com suas comunidades na medida em que se aproximam das pessoas do seu entorno, suas vivências, seu cotidiano e seus problemas, como no projeto Oldnet , realizado pelo Museu da Pessoa em parceira com o Projeto Aprendiz.
faixa etária, o projeto consistira:
a)Questionário para pais e avós, com relatos, fotos e documentos, conforme séries anteriores.
b) Produção de texto com tema “Eu me lembro”, conforme ciclo anterior.
c)Pesquisa e entrevista com os habitantes mais antigos da cidade, com os mais proeminentes (moradores na cidade ou, se houver como entrar em contato, fora dela), moradores dos bairros mais afastados, enfim, conduzindo a pesquisa para fora do eixo familiar dos alunos da escola.
As entrevistas deverão ser cuidadosamente organizadas, com confecção de um roteiro a ser discutido em classe, e deverá ser gravada ou filmada para posterior transcrição.
ENVOLVENDO PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS.
Os professores e funcionários serão convidados a participar do projeto, e sua colaboração poderá se dar das seguintes formas:
a) Fornecendo eles próprios dados sobre sua ascendência (com datas e procedência: pais, avós, etc. E fornecendo destes e de si próprio, relatos no estilo “eu me lembro”.
b) Caso não sejam originários de Cambuquira, que relatem o porque terem escolhido Cambuquira como moradia ou local de trabalho, e suas impressões sobre a cidade, bem como relatos de “Eu me lembro” posteriores a suas vindas para Cambuquira.
c) Auxiliando os alunos mais velhos no processo de preparação das entrevistas, sugerindo nomes (e intermediando contatos) a serem entrevistados, etc
TEMAS DAS ENTREVISTAS
Compreendemos que a história de vida de cada pessoa é o grande tema dos projetos de memória na escola. Ela será abordada a partir de um foco, um tema que desencadeia a pesquisa, a busca pelo depoente e a construção de roteiros, entrevistas e produtos finais. O projeto abordará, portanto, a vida do entrevistado com um destaque especial para o tema escolhido.
Cap.Cláudio Amâncio da Silva Lemes

O Museu da Pessoa tem trabalhado com temas relacionados ao universo mais próximo das crianças do Ensino Fundamental, como a história do bairro, a história da própria escola, das festas da comunidade. Com alunos mais velhos pode-se trabalhar com as histórias de vida dos idosos, com foco em temas mais amplos como a imigração, as práticas culturais, costumes mudanças no cotidiano. No projeto Oldnet, por exemplo, trabalha-se com a história de vida dos idosos, a maioria imigrantes europeus, com foco na imigração para o Brasil e nas práticas culturais na nova terra.
Exceto pelas crianças da pré-escola, cujo tema sugerido é o de brinquedos e brincadeiras, e talvez também pelas crianças do FI, que podem adotar o mesmo tema, as crianças de 1a série do Ensino Fundamental ao 3o ano do Ensino Médio poderão utilizar o tema geral de história de vida em Cambuquira, e, a partir do material levantado, em fases futuras do projeto, poderíamos achar pontos comuns a serem explorados e investigados mais a fundo, deixando assim livre para os entrevistados, nesse primeiro momento, o fluxo natural de suas lembranças, narrando o que julgarem mais importante em suas vidas na cidade de Cambuquira.
ESCOLHA DOS ENTREVISTADOS:
A escolha dos entrevistados se dará através de sugestões dos professores, funcionários, alunos e familiares dos alunos da escola. Para termos um painel significativo ainda neste primeiro momento do projeto, é importante que se leve em conta na escolha certos fatores:
a) Cidadãos mais antigos tem normalmente mais histórias para contar. Viram mais coisas. Conheceram mais pessoas.
b) Deve-se tentar englobar entre os pesquisados pessoas de várias famílias diferentes. Embora sempre haja a questão da perspectiva, membros de uma família normalmente tem memórias em comum, e nesse momento, a diversidade seria mais interessante. Num segundo momento, poderiam ser feitas entrevistas com outros membros de uma mesma família de forma a construir um relato multidimensional da mesma lembrança.
c) Pelo mesmo motivo acima, é interessante que se escolham pessoas de locais diferentes da cidade. Centro, Lavra, Figueira, Bairro Carioca, Marimbeiro, etc... de forma a mapear as lembranças da cidade por suas diferentes regiões.
Armando Almeida e Manoel Almeida (Neco)

DAS DATAS DE INÍCIO E TERMINO DO PROJETO
O projeto se iniciaria em meados do mês de abril, mas com fases de avaliação através das tarefas propostas nos 3o e 4o bimestres letivos, nas disciplinas de História, Português, Sociologia e Cidadania.
Poderá ser feita uma apresentação em forma de painel no fim do ano para pais e convidados, e será feita uma apresentação para a comunidade em maio de 2009.
Este é um “Projeto Permanente” e não possui uma data limite para acabar, podendo ser complementado nos anos subseqüentes a primeira apresentação pública, de forma a constituir um retrato amplo da cidade ao fim de alguns anos de pesquisa.
EXTENSÕES:
Este projeto pode ser proposto às escolas públicas do município, para que seja feito de forma colaborativa, obtendo resultados mais expressivos de forma mais rápida. Caberia a estas escolas escolher seu grau de participação, com o compromisso de ceder o material recolhido, com os devidos créditos (aos alunos, aos professores responsáveis por esses alunos e a escola em questão), para a compilação final do projeto.
O patriarca João Batista de Souza (foto)

DOS CRÉDITOS E TRATATAMENTO DO MATERIAL:
Toda produção intelectual desde trabalho pertencerá aos seus autores, tendo o projeto o direito de reproduzir (conferindo o crédito devido ao aluno, seu professor e a escola a qual pertence, e / ou ao entrevistado quando for o caso). Caso venha a ser confeccionado livro ou outro material de divulgação do projeto, fica entendido que os direitos de reprodução foram concedidos, desde que os créditos sejam respeitados. A todos os participantes (alunos, professores, funcionários e entrevistados) isso deve ser comunicado.
Documentos e fotos deverão ser digitalizados e xerocados (cópia virtual e cópia física) e devolvidos o mais rapidamente possível aos seus donos de direito. Poderão ser solicitados novamente em outros momentos para serem expostos em painéis para eventos específicos, e depois, deverão ser devolvidos novamente.
Todo material entregue para ser compilado deverá conter em seu verso ou em anexo o nome de quem o cedeu bem como o aluno a quem foi cedido, seguido de sua série, professora e escola, de forma a facilitar que os créditos sejam propriamente conferidos. Fotos, documentos, relatos, desenhos e outros materiais sem nome não serão aceitos para fazerem parte da compilação.
OBSERVAÇÃO:
Alunos que nasceram ou que vêm de famílias de fora de Cambuquira devem fazer seu trabalho escrito nos moldes sugeridos aos professores e funcionários no item B, relatando o porque da escolha da cidade como moradia ou local de estudo.
Cambuquira, 31 de março de 2008
Adriana M. Almeida
(Professora de Cidadania e Filosofia do Centro Educacional Aquarelinha)
Adaptado do Projeto Fazendo História na Escola do Museu da Pessoa
(em itálico, partes retiradas do projeto original)
NOTA: As fotos ilustrativas representam um pouco da nossa história fotográfica.(Incluídas pelo adm.do blog)
NOTA COMPLEMENTAR DA AUTORA DO PROJETO:
A título de esclarecimento... Esse é um projeto que idealizei inspirada no trabalho do Museu da Pessoa de resgate das histórias individuais, bem como nas pesquisas do Gilberto sobre Cambuquira e no meu mais novo vício, o de pesquisar minha árvore genealógica. Nos últimos tempos, durante minha pesquisa pessoal, me deparei com tantas histórias interessantes, comoventes, retratos fieis de uma época, me sentido próxima de parentes tão distantes, muitos dos quais eu nem sabia que existiam. Como nas vezes que citei minha pesquisa para os meus alunos, eles se mostraram estranhamente interessados nesses laços de família, acreditei que poderia compartilhar com eles não a minha história, mas a história deles, de seus familiares e de sua cidade, até para a melhor compreensão do momento em que vivem hoje.O projeto ainda se encontra em fase de discussão e organização, a fim de torna-lo viável e prático, muito embora eu já esteja nessa semana trabalhando com meus alunos a noção de história individual, a importância das memórias, e de como cada história por mais simples que seja, compõe um painel que forma e explica uma comunidade e uma época. ENVIAR COMENTÁRIOS PARA: adriana.almeida@gmail.com