

A COMUNIDADE NÃO PODE SE ACOSTUMAR À DECADÊNCIA E À ESTAGNAÇÃO COMO O PEIXEIRO SE ACOSTUMA AO MAU CHEIRO DA PEIXARIA" UMA NAÇÃO SE TORNA MENOR, QUANDO O SEU POVO PERDE O PODER DA INDIGNAÇÃO! photo:Parque das Águas(by Artur Silva)
de Rosas, Das Tripas Coração eSonho de Valsa. Mas engana-se quem pensa que uma Ana Carolina mais madura tenha deixado de ser provocativa e até malcomportada. A prova é Amélia.
Freud, para ela, começou com o documentário sobre Getúlio. Ela cantarola baixinho a letra que criou (e Macalé musicou) para aquele filme - "Todo povo brasileiro chorou/Morreu o presidente/Morreu suicidado..." Discutindo a figura paternal de Getúlio, Ana fez de Trabalhadores do Brasil o seu filme sobre a morte do pai. E, como ela diz, se o pai está morto, "então está tudo liberado". É o sentido da trilogia. Paulistana radicada no Rio, Ana não fechou o apartamento em São Paulo, ao qual volta, periodicamente. Por meio da trilogia, quis colocar na tela a alma feminina. Sexo, dor, gritos e delírios, Ana Carolina liberou geral.
amadurecimento artístico e pessoal. Isso está lá, claro, mas Ana nunca se preocupou em racionalizar emoções. Mas ela sabe que se projeta nesses três filmes. Em Mar de Rosas, ela diz que fica em casa, em Das Tripas Coração, que vai à escola, e sobre Sonho de Valsa diz que virou gente. E quanto a Amélia? "Olho o Brasil", resume.
Mas Ana descarta que tudo isso tenha vindo dentro de um processo racional. Mais uma vez é preciso invocar a psicanálise. Ela nunca pensou no filme em relação com "Macunaíma", seja o livro de Mário de Andrade ou o filme de Joaquim Pedro de Andrade embora reconheça que as matutas, irrompendo nos bastidores do teatro, sejam "fúrias macunaímicas". Também diz que nunca pensou em Como Era Gostoso o Meu Francês, de Nelson Pereira dos Santos, mas considera engenhosíssima a leitura de "Amélia" como a antropofagia às avessas daquele clássico. Enquanto no filme de Nelson, os índios comem o Brasil para assimiliar sua força (depois de assimilarem suas técnicas de combate), em Amélia é a forasteira, a francesa, que devora as brasileiras e as incorpora ao seu coro - no desfecho memorável do filme.
Liberada, Ana Carolina pretende substituir a analisanda meio furiosa pela contadora de histórias. Quer fazer um documentário sobre Gregório de Matos, porque admira o poeta, mas sabe que talvez esteja comprando uma briga. "Vou fazer um filme de 40 minutos para exibir não sei onde", diz. "Vou gastar, sei lá, R$ 100 mil para fazer um filme que depois as redes de TV vão querer comprar por R$ 3 mil." Outro projeto é um filme sobre homens. Depois de psicanalisar-se (e psicanalisar as mulheres), Ana quer voltar-se para o universo masculino. Só espera que não sejam necessários outros dez anos para concretizar esse novo e, vindo dela, atraente projeto. O mais surpreendente é a revelação que faz - a primeira montagem de Amélia tinha mais de três horas. Ana mostrou o filme nos EUA a alguns gringos que atuam na indústria cinematográfica. Eles acharam muita coisa redundante. Ana começou a cortar. Desconstruiu o filme na montagem, enxugou-o completamente. Deu certo. Ficou muito bom.(Luiz Carlos Merten/Agência Estado)
Os campeões da 21ª Edição do Concurso Qualidade Minasul de Café são os produtores José Antônio Pinto Filho, de Cambuquira/MG na categoria café natural, e o produtor Claudio Esteves Gutierrez da Fazenda Tahiti, município de Capelinha/MG na categoria café cereja descascado. A final do evento foi realizada no último dia 7, quando foram apresentados os 5 primeiros colocados nas duas categorias. saiba mais.