
A prefeitura municipal de Extrema, o Instituto Agronômico de Campinas e a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola estão promovendo e divulgando a 3ª edição do Curso de Pagamento por Serviços Ambientais e preservação de nascentes e corpos d'àgua - Projeto "Conservador das Águas" de Extrema.
Com o objetivo de capacitar profissionais de nível técnico e superior, agricultores rurais e demais profissionais ligados à agricultura, ecologia e, especificamente, recursos hídricos para a produção de água no meio rural, o curso será realizado no Cine Teatro Municipal de Extrema, no município do extremo sul de Minas Gerais, entre os dias 12 e 16 de março de 2012.
ContextoÉ fato que a propriedade rural é o maior abastecedor de água para o país, suprindo não só o campo, mas também as áreas urbanas. Por esse motivo, é importante que as nascentes dos mananciais sejam bem preservadas e recuperadas para modificar a tendência de queda de vazão por práticas agrícolas mal conduzidas ou erradas. De acordo com o Instituto Agronômico de Campinas, entender o valor monetário dos serviços prestados pela natureza e remunerar aqueles que a protegem é um dos mecanismos mais promissores de defesa do meio ambiente.
O exemplo pioneiro em pagamentos por serviços ambientais partiu da Costa Rica, que em meados da década de 90 categorizou os principais serviços oferecidos pelas florestas: liberação de oxigênio, proteção à biodiversidade, fornecimento das águas e belezas naturais, fundamentais ao turismo no país. Em 1997, a prefeitura de Nova York optou por investir 1,5 bilhão de dólares em medidas de conservação do sistema de águas da cidade em vez de desembolsar 8 bilhões na construção de uma unidade de tratamento. Na França, a idéia se propagou no setor privado. A Vittel, que produz água mineral, passou a pagar agricultores para reduzir o uso de adubos e conter a contaminação das águas. Os beneficiários desse modelo estão em toda a sociedade.
O exemplo e pioneirismo brasileiro couberam à cidade de Extrema, em Minas Gerais, que implantou o projeto "Conservador das Águas". Com o apoio técnico e de suprimentos de parceiros como a organização ambiental The Nature Conservancy (TNC) e o Instituto Estadual Florestal (IEF), o município foi dividido em sete sub-bacias do rio Jaguari, que o corta.
Para início do projeto foi eleita a área de maior degradação para realizar a restauração da vegetação, sub-bacia das Posses. São 1,3 mil hectares, 109 propriedades, em uma área bastante fragmentada e com menos de 10% da cobertura vegetal, mas com a prática de reflorestamento tem tido grande êxito nas melhoras de condições hidrológicas da Bacia.
O maior beneficiado do projeto é a Região Metropolitana de São Paulo, uma vez que grande parte da água produzida em Extrema, através do Jaguari desemboca no Sistema Cantareira, o maior sistema de abastecimento de água da América do Sul e fonte de 50% da água que chega à 9 milhões de pessoas da região metropolitana de São Paulo. Deve ser considerado ainda que na capital paulista, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), utiliza cinco vezes mais produtos químicos para tratar a água da represa de Guarapiranga do que para o sistema Cantareira.
O exemplo de Extrema é de absoluto sucesso e serve de referência para outras cidades como Rio Claro (RJ) e Alfredo Chaves (ES). É uma tendência nacional que estabelece mudanças significativas na conduta ambiental com grande sucesso nas melhoras das condições dos mananciais já tão degradados e com urgência de recuperação e preservação.