
Capricho era um rapaz trabalhador. Trabalhava de “chapa” e carregava e descarregava caminhões de milho e café que partiam e chegavam à cidade. Mas, num dia da vida experimentou um gole de pinga e nunca mais foi o mesmo. Aquele fatídico gole despertou o seu alcoolismo transformando-o de homem trabalhador a um cachaceiro de mão cheia. Aliás de mão vazia, já que para manter o vício passou a esmolar, dormir pelas praças, andar sujo e descabelado.
Mesmo assim, ele não se tornara a pessoa chata que a maioria dos “bebuns” que se tornam quando escravos da cachaça. E, mesmo bêbado continuou a ser o homem espirituoso de sempre.
Quando pedia e não tinha a sua vontade realizada, ele dava uma resposta que as pessoas acabavam por rir:
“__ Dá um trocadinho aí p’rá eu comprar alguma coisa de comer!..” Falava ele.
Em resposta a maioria falava:
“__Você já está bêbado! Por isso, não dou nada! Vai trabalhar vagabundo! .."
Capricho olhava bem nos olhos do interlocutor, e mesmo que não conhecesse dizia:
“___Enjoado!....Quando você morrer, você vai p’ro céu! Viu bem?
Essa era a sua maneira de “xingar”, entendessem como quisessem.
Passou o tempo e não se viu mais o nosso personagem. Soube-se que ele tinha morrido muito tempo depois. Até que a família pediu para avisar na Igreja. Mas, se esqueceram de dizer que Jose Carlos Borges era a mesma pessoa que a comunidade conhecia como "Capricho".
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