segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

“__Mãe! Nesse ano vamos ter um natal melhor. Arrumei um emprego.”


Essa foi a frase inicial de um breve telefonema de um filho para sua mãe que aflita que o aguardava com ansiedade como toda boa mãe brasileira.

Uma notícia que encheu de alegria o lar que há tantos anos esperava por boas noticias como aquela. Sua irmã menor sorria. E, com certeza levou a noticia às suas amigas da vizinhança. Imaginaram todos uma mesa farta e quem sabe algo mais, já que algumas empresas costumam dar uma cesta de natal para os empregados nas festas de fim de ano.


O sonhos devem ter também passado como um filme de ficção pela mente daquele jovem.
Poderia, quem sabe, comprar um carrinho, principal sonho de consumo de muitos que os elevam no meio da sociedade. Ou, poderia comprar roupas, tênis e outras coisas mais que o tornassem mais atraente para um determinada menina que ele em segredo tinha um grande afeto. E, com certeza, poderia melhorar muito a vida de sua mãe lutadora e viúva que apesar dos pesares conseguiu lhe dar uma boa educação, que o ensinou os caminhos certos da vida e o incentivou ser um homem de bem e não se perder pelas veredas tristes como outros tantos da cidade.

Ele e o seu amigo que o apresentara numa empresa em Varginha não viam a hora de ver a carteira assinada para que a história tivesse um belo epílogo.
Na volta de um telefone publico para se apresentar ao novo emprego, a historia mudou.
Quem soube do verdadeiro final dessa história, conhecendo a vida de desesperança por que passam os jovens dessas pequenas cidades abandonadas nas mãos de políticos pouco compromissados com suas terras, não conseguiram segurar as suas lágrimas.

No dia 29 de novembro de 2007, que passaria para a vida daquelas pessoas como o começo de uma vida melho, no calendário da família passou a ser o dia do óbito prematuro daquele garoto que até bem poucos dias corria pelas ruas atrás de uma pipa, que queria estudar mas não conseguiu. E, que viu aquele primeiro emprego como uma "asa" que o permitiria voar além dos sonhos. Mas, uma moto em alta velocidade o apanhou a atravessar a mais perigosa via de Varginha, a saída para BR 381 conhecida como Av. Princesa do Sul que também é parte urbana da BR 491. Num choque sem definição, o jovem cambuquirense repleto e sonhos e entusiasmo foi lançado a mais de 3 metros do solo tendo o crânio espatifado no chão. O motoqueiro, um também jovem rapaz de Belo Horizonte, com o impacto voou com sua moto caindo à muitos metros do local também sem chances de vida. Assim terminou uma história que poderia ter um final feliz no natal desse ano."


CONCLUSÃO:


Isso poderia ter passado como um simples acidente como outros tantos que acontecem todos os dias devido a armadilhas do trânsito brasileiro. Talvez muitos culparam a imprudência do garoto ou do motoqueiro. Outros lamentaram a fatalidade do fato. Alguns se conformaram com aquilo que acreditam que tudo já foi escrito por um ente superior, e disso ninugém escapa. Mas, eu não!... Contrariando todas esses hipóteses para justificar um epílogo tão cruel culpo os políticos, não só os da cidade, mas o conjunto com raras exceções
O governo estadual inventou as cidades-polo.E, para efetivar isso concentrou toda atenção nesses municípios privilegiados. Os prefeitos mais compromissados com suas cidades menores correram atrás para tirar o prejuízo. Na nossa estância hidromineral nada se fez a espera de um "virtual" liberação dos jogos. Como prova disso, para se ter uma idéia, Cambuquira é a única cidade da região que não tem nem uma casa da Cohab ou projeto similar. A Figueira foi a alternativa para os "sem casas" da cidade. Por que isso?

A cidade só decaiu nos últimos 50 anos. Quem entender o contrário que o prove. A hotelaria faliu. O comércio faliu com a facilidade que todos têm para ir a Três Corações e por lá deixar parte de suas rendas.Os comerciantes da cidade reclamam, mas pouco fizeram para que isso não continuasse acontecendo. As principais firmas da cidade ou fecharam ou se mudaram para cidades vizinhas. Enquanto isso, os políticos se preocupavam com "projetos pequenos" e ignoraram as necessidades do povo, e principalmente dos jovens desesperançados dessas cidades.

Aquele menino, até poucos anos, talvez há uns sete, oito ou dez anos fora provavelmente aluno da Escolinha Sementinha” do Bairro S. João/Fátima. Era um “mulatinho” saudável, inteligente e alegre. Naquele tempo os governantes que passaram pela cidade não tiveram tempo, como outros tantos não tiveram antes, de preparar a cidade para que ela não caísse na estagnação. Alguns se preocuparam mais com suas reeleições e esqueceram, ou não tiveram competência, ou não se importaram com os rumos que tomava a cidade tomava.

Enquanto isso o menino cresceu, como todos os outros da sua idade: "sem futuro".

Hoje, os cambuquirenses que residem fora têm que agüentar as críticas e uma perguntas quase que irrespondíveis": "__Mas, o que aconteceu com a sua cidade? Onde estão os políticos de lá?

O que espero é que mais esse “mártir” sirva para alertar os candidatos que vêm por aí. Cambuquira precisa mesmo acordar, como aliás vi escrito certa vez num muro da cidade como um insulto a um candidato, caso contrário outros tantos garotos não terão outra chance a não ser o da saída pela Estação Rodoviária, sem tiverem coragem ou juizo, ou se transformarão em membros de um elenco triste de uma comunidade de desvalidos ou participantes de grupos de revoltados.


Talvez os políticos justifiquem que isso acontece em outras cidades. Mas, está dificil achar outra cidade que foi como a nossa há alguns anos e que caiu tanto. Pois, algumas dessas "vilas" menores ultrapassaram a nossa em tudo. Exemplo disso é Monsenhor Paulo que hoje arrecada mais que Cambuquira e Campanha juntas.

Por falar em Campanha, essa cidade berço do Sul de Minas, que ficou adormecida por muitos anos, já descobriu o caminho, inclusive gera empregos até para cambuquirenses. Mas, não podemos ficar à espera das sobras dos vizinhos. Urge aqui termos as nossas próprias vagas.
Se não for feito algo de importante na geração de campo de trabalho, criação de escolas capazes de preparar essas novas gerações, a cidade pode acabar mesmo, como alguns prevêem, transformando-se num bairro de Três Corações, como de fato já o é. Aliás, muitos da comunidade até já defendem essa idéia como a única alternativa perante a "desilução" com os políticos.


Um dos mais recentes episódios que envolveu PM e um bando de jovens na cidade é o retrato desse desamparo por que passam esses novos cidadãos-sem-rumos. Não que eles sejam de má índole, como definem alguns, pois são vítimas da ociosidade, da falta de oportunidades, do preconceito, da inexistência de "futuro" e, em suma, "vítimas da má política". Assim, tornam-se presas fáceis dos fatores perversos que rondam essa idade, que os levam a embriaguez e aos demais vícios, muitas vezes num caminho sem volta para muitos deles. E, aquilo não foi o primeiro e não será o último ato desse triste drama se aqueles que escrevem a história da cidade, os administradores públicos e a comunidade, não mudarem o enredo.

Alerta: " Ainda há tempo, a cidade é forte e ainda respira. Assim, se houver um coalisão em prol do bem, Cambuquira ainda pode renascer, como "Fênix", das cinzas.
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