Desconfiar das instituições é salutar, mas em exagero atrapalha, diz José Álvaro Moisés
Eduardo Militão
Uma mulher é assaltada dentro da própria delegacia. Um juiz vai preso envolvido em um esquema de corrupção. Ministros condenam um político, mas ele não sofre qualquer punição porque a pena já prescreveu. Um senador muda o tempo verbal de uma lei moralizadora, e isso levanta suspeita de que sua intenção é livrar dela os colegas parlamentares. Os exemplos acima estão nas páginas dos jornais dos últimos dias. Diante delas, a sensação de que as coisas talvez não funcionem como deveriam no país. E uma constatação, que não poderia ser diferente: o brasileiro não acredita nas suas instituições.
As causas e as consequências dessa constatação são o tema de um livro recém-lançado pela editora da Universidade de São Paulo (Edusp): “Democracia e confiança: por que os cidadãos desconfiam das instituições públicas?”. A resposta vem dos exemplos acima: a população não dá crédito às suas instituições em consequência da baixa qualidade da democracia brasileira. Das instituições, os partidos políticos, o Congresso, o governo, a polícia e a Justiça são as menos confiáveis. Na outra ponta, as que têm mais crédito são os bombeiros, as igrejas e as Forças Armadas.
“A existência da desconfiança decorre da baixa qualidade da democracia”, avalia o organizador do livro, o professor José Álvaro Moisés, doutor em ciência política e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, que lançou a obra no último dia 25, em São Paulo. Ao mesmo tempo, porém, essa falta de credibilidade contribui para tornar ainda piores as instituições. “Se as pessoas não acreditam nas instituições, também não vão fazer muito esforço para que elas funcionem bem”, considera o professor.
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