Essa é uma pergunta que ninguém responde. Uma das coisas que sempre me intrigou foi o fato de que Cambuquira,apesar de ter sido considerada “área de segurança nacional”(Não sei qual o risco que nossa cidade poderia oferecer à nação no tempo da ditadura!), nunca ter recebido um projeto de “Casas Populares”. Municípios hipoteticamente com menos renda, e menos receitas, como várias cidades menores de nossa região, há muito tempo foram contempladas com essas moradias para pessoas de baixa renda e até para classe média. E, a nossa parece que ficava em outro país!...Nas minhas andanças como servidor da Fazenda Estadual visitei a maior parte das cidades do Sul de Minas e algumas do Sudoeste do Estado. Em todas elas existe um ou mais conjuntos habitacionais que no Brasil ficou conhecido como COHAB. Monsenhor Paulo, onde trabalhei nos anos 80 já existia um bairro de casas feitas pelo governo federal. O mesmo acontece com Conceição do Rio Verde, Campanha, T.Corações, Carmo da Cachoeira entre outras de nossa região. Varginha, neste exato momento, tem em construção mais de um bairro de casas de padrão melhor do que as antigas residências da Companhia de Habitação.
Será que o governo sempre achou que nossa cidade nunca precisou de um projeto social dessa natureza?
Ah!. Agora me lembro. Certa vez houve até um cadastramento e eu até me alistei entre os pretendentes. A prefeitura até me convocou para nova inscrição pois eu e uma servidora da Prefeitura tínhamos recebido o mesmo número. Mas, o projeto não saiu do papel.
Enquanto isso, nesses anos de existência da Estância parece que os governos em geral (União, Estado e Município) ignoraram as necessidades do povo pobre da cidade. O Estado de Minas Gerais, maior proprietário de bens na área urbana, por “ação e omissão” deixou que os “sem casa” invadissem os seus terrenos e lá construíssem casas e mais casas de maneira desordenada até que aquilo virasse um “bairro”, a Figueira, onde ninguém é proprietário, não há herança, não se pode alienar, hipotecar, dispor de maneira legal.
A facilidade da “posse” naquele lugar ainda incentivou a ida de mais gente para o local, onde muitas famílias vindas da zona rural e até de outras cidades construíram suas residências.O mesmo aconteceu com parte do Marimbeiro velho.
Há algum tempo já se falava em legalização dessas posses, depois veio um sistema de “comodato” sem direito a herança. Algumas pequenas casas foram até demolidas, outras tiveram as obras embargadas. As casas, de acordo com a ordem, não podiam ser modificadas, aumentadas. E, tudo que fosse necessário fazer nelas deveria ter primeiro a autorização da COMIG. Essa empresa estatal, administradora desse bem público, gastou, conforme estampado numa placa colocada pelo Governo do Estado, mais de 170 mil reais (equivalente na época a mais de 170 mil dólares com a paridade existente entre as moedas), valor que daria naquele tempo para construir algumas centenas de residências do padrão COHAB que pudesse minimizar a questão das habitações irregulares. Preferiu-se isso à edificação de moradias. Colocaram uma “nata” de asfalto para embelezar as ruas, luz elétrica, telefone, campo de futebol, caixa d’água e rede de esgoto. Depois cercaram tudo como se fosse um condomínio fechado. Hoje essas cercas só existem em alguma foto.
E, o tempo passou e com ele nada se fez para resolver nem a questão da falta de moradias e nem o problema das posses irregulares. Agora já se fala em nova legalização. Coisas de ano eleitoral. Mas, nunca se fala em “casas populares”. Será quando que os políticos vão realmente levar a sério o problema de habitação da camada mais desfavorecida da Estância? Bem, essa é uma idéia para algum candidato corajoso tome como plataforma neste ano. Alguém topa?
OBS; A foto acima representa o modelo das casas recém construídas em Varginha.