Nova ortografia e escravidão (continuação)
O decreto nº 6.583, de 29 de setembro do ano passado, assinado pelo Presidente da República Federativa do Brasil, fez nascer para o povo brasileiro a realidade de que a partir de 1º de janeiro último entraram em vigor as nossas novas regras de escrita, resultantes do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, subscrito pelos Governos da República de Angola, da República Federativa do Brasil, da República de Cabo Verde, da República de Guiné-Bissau, da República de Moçambique, da República Portuguesa, da República Democrática de São Tomé e Príncipe e da República Democrática de Timor-Leste.
Independente de estarmos todos preparados para adotar as novas regras, como já o fizeram muitas empresas jornalísticas e editoras e muitas outras o estão fazendo, é importante refletirmos sobre a necessidade de aprimorar esse acordo para tirá-lo das premissas compatíveis com o século XX, época em que foi pensado, e adaptá-lo à realidade prática e racional do século XXI, período em que passa a viger.
Se há algo que sempre atrapalhou o ensino-aprendizagem do capítulo ortografia, desmotivando alunos e professores, produzindo uma consciência coletiva de incapacidade de escrita e de subordinação compulsória ao dicionário, chama-se “exceção”. Se no século passado se aceitava que a “exceção comprovava a regra”, hoje a consciência predominante é de que “a exceção destrói a regra”, torna-a incapaz e desinteressante, porque transmite a sensação de perda de tempo: para que estudar uma coisa que é falha, que não tem lógica, que é irracional. Ao homem do terceiro milênio não interessam as formulações superficiais, não práticas, não racionais e dogmáticas. É, pois, preciso adequar a ortografia a essa nova etapa de evolução do ser humano, que deixa de ver o mundo sob a ótica da linearidade e passa a captá-lo sob um ponto de vista quântico, holístico.
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Fonte: Acordarmelhor.com.br
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1) Vale a pena dar uma olhadinha no site referência para se ver que todos os brasileiros e também os estrangeiros lusófonos têm dificuldade tanto na grafia como também na escrita dessa nossa Língua Portuguesa. E, que ninguém pode se vangloriar de deter conhecimento maior da ortografia que outros, menos letrados, porém nem sempre menos cultos.
O Senador Cristóvam Buarque, que participou do Programa Cidadania da TV Senado confessou que tem dúvidas quando se deve usar o "s" ou o "ç" e que numa palestra ou aula errou a palavra proporção (ou semelhante) tendo a escrito errado de acordo com os atuais padrões da língua usados no Brasil.
O professor Ernani Pimentel, que participou do mesmo programa e autor do site citado, defende que se faça uma reforma mais profunda da ortografia, citando inclusive as línguas germânicas que adotaram a pronúncia de algumas letras como o "g" e "j" distintos, o que no português chega a se confundirem pelo "som".
Ambos falaram que da forma que está ou pela forma proposta, a língua vai continuar produzindo analfabetos, pois quase ninguém é capaz de escrever sem usar um "vocabulário ou dicionário" para desfazer as dúvidas. Defendem que a língua tenha uma forma simples que qualquer cidadão consiga escrevê-la sem dúvidas e o que diferenciaria os mais cultos dos menos seria a quantidade de vocábulos que cada um possa ter de acordo com os estudos que tiver.
Particularmente, eu gostaria de que o "trema" não seja abolido, pois da maneira proposta, com o tempo vai haver muita gente falando "trankilo"* no lugar de "tranqüilo" como se fossem argentinos.
*trankilo foi assim escrito para se destacar a pronúncia dos nossos "primos" argentinos.
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