terça-feira, 19 de dezembro de 2006

O SETE ORELHAS E CAMBUQUIRA


O SETE ORELHAS E CAMBUQUIRA
O famoso justiceiro, que acabou sendo considerado um dos mais terríveis facínoras de nossa região, se chamava JANUÁRIO GARCIA. Esse cidadão, antes pacato, o quase, residia na região onde hoje se localiza São Bento Abade. E, por um crime bárbaro que chocou até o governador da província, ele saiu pelo Brasil afora fazendo justiça com as próprias mãos. Mas, depois se transformando em um "assassino de aluguel" nos moldes que assistimos hoje por aí. João Garcia Leal que vivia em conflito com o seu vizinho, Francisco da Silva (Chico Silva) porque este insistia em mudar a cerca que dividia as propriedades invadindo área pertencente a João. Por causa disso, Chico Silva ordenou aos seus sete filhos que emboscassem o vizinho e o matassem. O crime foi praticado pelos filhos do tal Chico com requintes de crueldade. Dependurado em uma árvore, ainda vivo, dele foi tirada toda a pele do corpo deixando-o agonizando ali onde fora encontrado pelo irmão Januário com tempo de “entregar” quem foram os autores de tamanho delito. Januário, acompanhado do seu irmão caçula Salvador Garcia Leal, com apoio de Mateus Luiz Garcia, seu tio, e com “um aparente aval da milícia da província” saíram à caça dos malfeitores. (Essa “autorização” é considerada falsa, pois existe um fato registrado quando os três procuraram o Juiz Ordinário da região armados até dos dentes para impedir que a autoridade expedisse um mandado de prisão contra tal Reinaldo da Silva, que não se sabe se era um dos filhos de Chico da Silva). Com essa autorização, Januário perseguiu e matou todos os sete irmãos que haviam “tirado o couro” do seu irmão. E, como prova de cada crime retirou de cada cadáver a orelha direita. Contava minha avó que ouvia dizer que ele chegava com aquele colar de orelhas e os jogava sobre os balcões das vendas das pequenas cidades como prova de que ele era o famoso Januário das Orelhas. Como se fosse algo escrito com “linhas tortas” Januário morreu em uma porteira, vítima de um traumatismo na cabeça que lhe arrancou a orelha direita. Pois é!...

Mas, o que tem isso a ver com Cambuquira?
Januário Garcia Leal era parente. Talvez, sobrinho de Diogo Garcia da Cruz, esposo da Ilhaa Júlia Maria da Caridade. Portanto, o "sete orelhas" tem parentesco com alguns dos membros de famílias importantes da região. Na nossa cidade, Os Silva Lemes descendem de Diogo Garcia e Júlia Maria da Caridade, através de um tronco do Borges da Costa, fruto da união de uma neta da portuguesa e Manoel Borges da Costa, já em Cambuquira.
NOTA:A foto acima é da Igreja do Saco onde foram celebrados batizados de filhos e netos de Júlia Maria da Caridade (Carancas-MG)

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